Manifestantes iraquianos rejeitam nomeação de primeiro-ministro

A população que protesta considera Alawi, que foi ministro das Comunicações em 2006 e 2010, 'parte do processo político que destruiu o país'

Protestos no Iraque já duram quatro meses

Protestos no Iraque já duram quatro meses

Reuters/Khalid al-Mousily - 20.11.2019

Manifestantes que permanecem nas praças de várias cidades do Iraque em protesto permanente há quatro meses, rejeitaram neste domingo (2) a nomeação de Mohamed Alawi como primeiro-ministro, considerando que ele não é independente e faz parte da classe política que destruiu o país.

Um dos porta-vozes dos manifestantes na Praça Tahrir, o epicentro da revolta de Bagdá, disse à Agência Efe que os manifestantes expressaram sua posição em uma declaração na qual "é rejeitada".

O presidente iraquiano Barham Salih instruiu ontem (1) Mohamed Alawi para formar um novo governo, dois meses após a renúncia do primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi, e em meio à paralisia institucional devido à falta de consenso.

"Ignorar o povo é coisa do passado e não vamos permitir isso novamente", afirmaram os organizadores do movimento, pedindo aos manifestantes de outras cidades que "se preparem para uma escalada pacífica" dos protestos.

Os manifestantes consideram Alawi, ministro das Comunicações duas vezes em 2006 e 2010, "parte do processo político que destruiu o país desde 2003", quando os Estados Unidos invadiram o Iraque e derrubaram Saddam Hussein, dando lugar a uma nova ordem no país.

A nomeação do novo primeiro-ministro encerra um período de mais de dois meses em que Abdel Mahdi continuou a governar temporariamente em meio a crescentes protestos e a crescente tensão entre os EUA e Irã.