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Internacional Médicos alertam para perigo de realizar comício de Trump na Flórida

Médicos alertam para perigo de realizar comício de Trump na Flórida

Estado é um dos epicentros do coronavírus nos EUA. Evento, que pode atrair até 40 mil pessoas, ia ser realizado na Carolina do Norte, mas foi transferido

Médicos consideram comício perigoso

Médicos consideram comício perigoso

Carlos Barria/Reuters - 26.6.2020

Cerca de 200 médicos alertaram o prefeito de Jacksonville, Flórida, Lenny Curry, que a realização na cidade do evento no qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitará a candidatura republicana é "extremamente perigoso", bem no momento em que a Flórida é um dos focos do coronavírus no país.

Permitir que mais de 40 mil pessoas de todo o país, incluindo jornalistas e manifestantes anti-Trump, venham a Jacksonville é "uma provocação inequívoca à doença", "previsivelmente prejudicial e desrespeitosa em termos médicos para os moradores da cidade e ao resto do país", disseram os médicos, em uma carta publicada neste domingo no site "firstcoastnews.com" e em outras mídias.

Os signatários da carta enfatizam que a Convenção Nacional Republicana deveria adiar essa ação, prevista para 27 de agosto, ou reduzir significativamente a capacidade, e o prefeito Curry deveria ordenar o uso obrigatório de máscaras faciais na cidade antes dessa data, como outras da Flórida fizeram.

Curry anunciou este mês que havia aceitado que o evento final da Convenção Nacional Republicana, que aconteceria em Charlotte, Carolina do Norte, fosse realizado em Jacksonville, nordeste da Flórida.

O governador da Carolina do Norte, Roy Cooper, se recusou a realizar um evento de massa por medo de um aumento no número de infecções por covid-19.

Na carta ao prefeito e ao conselho municipal, os médicos lembram que o número de infecções e hospitalizações continua crescendo na Flórida, que agora é um dos focos da pandemia nos EUA.

Ontem, ocorreram 9.585 novos casos de Covid-19 na Flórida, um recorde que elevou para 132.545 o número de casos acumulados desde 1º de março neste estado, que, juntamente com Texas, Califórnia, Carolina do Sul, Nevada, Geórgia e Arizona, sofre com um pico da doença em meio a reabertura econômica.

Eles também lembram que, infelizmente, ainda "não existe vacina ou tratamento particularmente eficaz contra esse novo vírus" e que as autoridades sanitárias recomendam manter uma distância física de 1,80 metros entre pessoas, usando máscara e não permitindo que grupos de mais de 50 pessoas, principalmente em espaços fechados.

Sem mencionar que Trump e seus apoiadores não são a favor de cobrir o nariz e a boca para previnir infecções, os médicos dizem que "para algumas pessoas, as máscaras se tornaram uma declaração política", que na sua opinião é "irracional" e propicia a "divisão".

"O inimigo é o vírus, não outras pessoas", enfatizam na carta.

Segundo os médicos, celebrar o ato republicano em Jacksonville resultará em "um aumento de hospitalizações, problemas de saúde a longo prazo e mortes".

Uma pesquisa realizada pela Universidade do Norte da Flórida (UNF) revelou esta semana que 58% dos moradores de Jacksonville se opõem à realização do evento final da Convenção Nacional Republicana na cidade, principalmente por medo da propagação da Covid-19.

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