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Internacional Médicos espanhóis pedem renúncia do chefe do combate à covid

Médicos espanhóis pedem renúncia do chefe do combate à covid

O Conselho Geral das Associações de Médicos da Espanha fala em incapacidade ao longo da evolução da pandemia

  • Internacional | Da EFE

Diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências, Fernando Simón

Diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências, Fernando Simón

Fernando Villar/EFE - 03.11.2020

O Conselho Geral das Associações de Médicos da Espanha pediu neste sábado (14) a renúncia do diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências, Fernando Simón, "por sua incapacidade manifesta e prolongada ao longo da evolução da pandemia" da covid-19, tempo em que exerce como porta-voz do Ministério da Saúde.

Os médicos, que são membros de 52 organizações profissionais, pediram, em comunicado à imprensa, "respeito, reconhecimento, participação e dignidade", além de uma "mudança de direção" na gestão da crise sanitária e a criação de um comitê de especialistas independentes.

A Assembleia do Conselho Geral das Associações de Médicos também mostrou desconforto com as últimas declarações de Simón, que geraram controvérsia várias vezes desde o início dos contágios.

Segundo os médicos, as palavras de Simón são "um ato de desmotivação, incompreensão e falta de sensibilidade", e podem ser interpretadas como "um manifesto desconhecimento do trabalho, da responsabilidade e da vocação dos profissionais médicos".

Eles se referem, especificamente, à quinta-feira passada, quando Simón disse, sobre o número de infecções entre profissionais da saúde, que agora "têm um aprendizado com relação à primeira onda".

"Os gestores fazem melhores circuitos de atendimento nos hospitais. E, obviamente, os profissionais de saúde se comportam melhor, evitando o contágio fora de seu espaço de trabalho", afirmou Simón.

Os médicos repudiam essas palavras, feitas "a partir do conhecimento dos danos que a pandemia da covid-19 deixou e está deixando para os trabalhadores da saúde em geral e para os médicos em particular", e que colocam a Espanha "à frente dos infectados" entre os países europeus.

Eles lembram que 72 médicos morreram durante o trabalho desde março e que centenas de profissionais estão lutando para superar as sequelas da infecção.

Profissionais de saúde

Até agosto, na primeira onda, 55.824 profissionais de saúde foram infectados com coronavírus na Espanha, segundo dados oficiais, a maioria devido à falta de equipamentos de proteção adequados durante os momentos mais difíceis da pandemia, denunciaram várias organizações profissionais.

As associações médicas pedem uma retificação pública e lembram que esta não é a primeira vez que expressam seu desconforto com declarações ou ações "impróprias" do chefe médico do governo espanhol para a pandemia.

Os médicos apontam a ausência de um comitê de especialistas formado por profissionais reconhecidos, independentes e transparentes, e de um sistema de avaliação para melhorar a resposta aos surtos da doença.

Simón tem sido duramente criticado tanto pela oposição, de direita, quanto pelas organizações profissionais de saúde, que o acusam de não conseguir administrar a crise sanitária e de, inicialmente, minimizar a incidência que a pandemia poderia ter na Espanha, onde já foram reportados 1.458.591 casos e 40.769 mortes, de acordo com dados oficiais.

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