Guerra civil na Síria: veja a cobertura completa
Internacional Metade das crianças sírias cresceu em meio à guerra no país

Metade das crianças sírias cresceu em meio à guerra no país

Dados são da Unicef, que alerta para a necessidade de dar assistência, para minimizar traumas e suprir necessidades urgentes e para o futuro

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Crianças sírias necessitam de uma atenção maior

Crianças sírias necessitam de uma atenção maior

Reuters/Aboud Hamam/05-11-18

A Guerra da Síria está entrando em seu oitavo ano e, neste período, cerca de 4 milhões de pessoas nasceram no país. Isso significa que metade do atual número de crianças sírias cresceu em meio ao terror e à devastação. As informações são do site da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Tal ambiente, cercado de violência e permanente tensão, é altamente prejudicial à formação de qualquer criança. E faz elas necessitarem de uma atenção ainda maior do que a média. A guerra na Síria, iniciada em março de 2011, já deixou mais de 510 mil mortos.

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Um dos entrevistados pela entidade, um adolescente de 15 anos, tem percebido que a visão de mundo destas crianças tende a ser baseada na violência e hostilidade.

Segundo suas observações para a Unicef, crianças e jovens veem a violência com normalidade por ser esta a única realidade conhecida por eles. 

"Desde o início do conflito, crianças e jovens se tornaram cada vez mais violentos...O bullying, o assédio, os espancamentos e o casamento precoce aumentaram.”

Neste sentido, a entidade alerta para a necessidade de uma ampla assistência a estas crianças, no sentido de minimizar traumas e suprir necessidades urgentes e para o futuro.

Serviços sobrecarregados

Na opinião de Henrietta Fore, diretora executiva do Unicef, “cada criança de (até) oito anos na Síria tem crescido num cenário de perigo, destruição e morte. (Elas) precisam poder voltar à escola, receber vacinas e de se sentirem seguras e protegidas.”

Ela passou cinco dias no país e visitou áreas que apenas recentemente passaram a ser acessíveis, tendo ficado muito tempo bloqueadas em função dos combates.

Os serviços estão sobrecarregados, quando existem. Um exemplo ocorre em Deraa, onde moravam quase 1 milhão de pessoas. Pelo menos metade dos 100 centros de saúde primários da província foram danificados ou destruídos.

Em Douma, por exemplo, as famílias retornaram para casas destruídas e ainda se depararam com o risco iminente de detonação de explosivos. Pelo menos 26 crianças morreram vítimas destas explosões.

A cidade, em abril de 2018, teria sido alvo de um ataque químico que matou 70 pessoas, expostas ao gás cloro e ao gás sarin.

Tantas são as ruínas que uma ONG, parceira da Unicef, teve de improvisar uma clínica no salão de uma mesquita danificada.

Fore descreve as dificuldades em recomeçar a vida em meio ao caos.

“As famílias vivem no meio de escombros, lutando por água, comida e aquecimento durante o inverno. Há 20 escolas, todas estão superlotadas e necessitam de formação para jovens professores, livros, materiais escolares, portas, janelas e eletricidade.”

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