CRISE HUMANITÁRIA

Internacional Migrante é morto na fronteira da Grécia, dizem autoridades turcas

Migrante é morto na fronteira da Grécia, dizem autoridades turcas

Governo grego nega e diz que Turquia 'fabrica notícias falsas'; imigrantes relatam que polícia grega usa bombas e balas de borracha

  • Internacional | Da EFE

Imigrantes fazem sinal de que se rendem à policiais na fronteira Grécia-Turquia

Imigrantes fazem sinal de que se rendem à policiais na fronteira Grécia-Turquia

Dimitris Tosidis / EFE-EPA - 4.3.2020

Uma pessoa morreu nesta quarta-feira (4) por tiros procedentes do lado grego da fronteira quando tentava entrar na Grécia através da Turquia, segundo informaram autoridades turcas, embora Atenas tenha negado o incidente — que ocorre em meio a uma escalada na crise migratória nas fronteiras europeias.

A vítima foi atingida por um tiro no peito quando os militares gregos que protegem a fronteira lançaram gás lacrimogêneo, balas de borracha e munição real, deixando outras cinco pessoas feridas, informou em comunicado o gabinete do governador da cidade de Edirne, na Turquia.

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Os militares gregos abriram fogo no momento em que um grupo de migrantes tentou forçar a entrada na Grécia nesta manhã, de acordo com a fonte.

Vários disparos na fronteira grega

"Não houve mortos por tiros das forças gregas. A Turquia fabrica e distribui notícias falsas. Hoje, inventaram mais uma, de supostos feridos por tiros das forças gregas. Nego categoricamente", comentou o porta-voz do governo grego, Stelios Petsas.

Embora a imprensa tenha sido vetada na zona onde milhares de refugiados e migrantes estão acampados desde a sexta-feira passada, a Agência Efe constatou no local que ao longo da manhã foram ouvidos vários disparos e vistas várias nuvens de gás lacrimogêneo. Além disso, cerca de dez ambulâncias circularam pela região.

A tensão na fronteira entre a Grécia e a Turquia aumentou depois que o governo de Recep Tayyip Erdogan decidiu romper acordo com a União Europeia sobre retenção de imigrantes e liberar a passagem para o território europeu.

Imigrante relata uso de balas de borracha

Um refugiado iraniano que se identificou como Reza, e que está há quatro dias no acampamento, explicou que os militares gregos usam o gás para afastar quem se aproxima da vala da fronteira, mas que hoje usaram balas de borracha pela primeira vez.

"Eles atiram nas partes baixas do corpo. As balas não penetram na pele, mas causam ferimentos muito dolorosos. Também usam jatos d'água", afirmou, explicando que a proteção usada na orelha se deve a um ferimento causado pela polícia grega.

Reza, oriundo da cidade iraniana de Shiraz e que vive há cinco anos na Turquia, disse que cerca de 15 mil pessoas esperam na passagem da fronteira de Pazarkule-Kastaniés para atravessarem à Grecia, e que a polícia turca não permite que os migrantes saiam da região.

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