Brasil Milhares se manifestam contra governo da Tailândia

Milhares se manifestam contra governo da Tailândia

Governo acusa oposição de "criar situação" semelhante ao golpe de 2006

Milhares se manifestam contra governo da Tailândia

População se reúne no Victoria Monument, em Bangcoc

População se reúne no Victoria Monument, em Bangcoc

Kerek Wongsa/Reuters

Dezenas de milhares de manifestantes paralisaram o centro de Bangcoc neste domingo (22) para exigir a renúncia do governo da Tailândia, um dia após o principal partido da oposição anunciar o boicote das eleições legislativas.

Ao menos 110 mil pessoas se reuniram em vários pontos de Bangcoc neste domingo à tarde, informou o Centro para a Administração da Paz e da Ordem. A capital da Tailândia tem o fuso-horário 14h adiantado em relação à Brasília.

Cerca de mil pessoas, em sua maioria mulheres, se concentraram em frente à residência da primeira-ministra Yingluck Shinawatra, no noroeste do país.

Os manifestantes gritaram "Yingluck vá embora" sob o olhar de dezenas de policiais desarmados e ao som de apitos usado nas manifestações nas últimas semanas.

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Já pelo menos 50 mil pessoas em Bangcoc participaram de uma passeata liderada por Suthep Thaugsuban, principal líder da mobilização.

A chefe do governo anunciou no início de dezembro a organização de eleições antecipadas em fevereiro de 2014 após várias semanas de crise política e a renúncia em massa de deputados da oposição.

Os manifestantes exigem a renúncia da primeira-ministra que é acusada de ser um fantoche de seu irmão Thaksin Shinawatra, ex-primeiro-ministro deposto em 2006 por um golpe de Estado. Segundo eles, Thaksin continua a governar o país do exílio, apesar de sua queda.

O auto-proclamado Comitê de Reforma Democrática Popular também pede a substituição do governo por um "conselho do povo" durante 18 meses até a realização de novas eleições.

Suthep Thaugsuban protestou em meio a aplausos próximo do maior centro comercial da capital:

- O povo quer reformas antes das eleições. Hoje nós fechamos Bangcoc. Se o governo não renunciar, iremos paralisar a capital por um dia inteiro e se ainda resistir, fecharemos por um mês.

Boicote

O Partido Democrático, o principal partido da oposição tailandesa, anunciou neste sábado (21) que iria boicotar as eleições legislativas propostas pela premiê para resolver a crise. Segundo analistas, o ato pode mergulhar a Tailândia profundamente na crise e acentuar as divisões em uma sociedade já dividida entre prós e anti-Thaksin. A primeira-ministra afirma que a oposição não é democrática:

- Se não aderirem ao sistema democrático, o que farão? Se não aceitam o governo devem, pelo menos, aceitar o sistema".

Thina THavornseth, líder dos "camisas vermelhas" que reunem partidários do Puea Thai, partido governista, acusa o Partido Democrata de buscar um golpe de Estado.

- Os democratas querem criar a mesma situação de 2006 e preparar o caminho para um golpe de Estado.

A monarquia constitucional da Tailândia sobreu 18 golpes ou tentativas de Estado desde 1932. As Forças Armadas se recusam agora a participar das manifestações.

Os opositores ocuparam temporariamente ministérios e até mesmo a sede do governo nas últimas semanas à espera da intervenção do exército em favor de um golpe.