Ministério da Defesa russo coloca em dúvida a morte de líder do Daesh

Para porta-voz da pasta, detalhes contraditórios suscitam dúvidas de que a operação tenha sido real e, mais ainda, de que houve sucesso

Jovens iraquianos observam o momento do anúncio da morte do líder terrorista

Jovens iraquianos observam o momento do anúncio da morte do líder terrorista

Alaa al-Marjani/Reuters - 27/10/2019

O Ministério da Defesa da Rússia colocou em dúvida neste domingo (27) a morte do líder do grupo jihadista Daesh, Abu Bakr al-Baghdadi, anunciada neste domingo pelos Estados Unidos e confirmadas pelo governo do Iraque e a aliança Forças da Síria Democrática (FSD).

"O aumento do número de países que, supostamente, tomaram parte na 'operação', com todos dando detalhes contraditórios, suscitam perguntas e profundas dúvidas de que tenha sido real e, mais ainda, se houve sucesso", afirmou o general Igor Konashenkov, porta-voz da pasta.

De acordo com o militar, neste sábado (26) e nos últimos dias, a Rússia não registrou qualquer ataque com meios aéreos dos Estados Unidos, nem da coalizão internacional, na província de Idlib, no noroeste da Síria, local apontado como onde aconteceu a ação que resultou na morte de Al-Baghdadi.

Konashenkov ainda afirmou que o Ministério da Defesa russo não tem conhecimento de qualquer ajuda para voo de aeronaves americanas no espaço aéreo da região durante a operação. O porta-voz ainda lembrou que não se trata de área sob controle do governo da Síria, mas da Frente al Nusra, filial da Al Qaeda.

"Este grupo sempre combateu o Daesh e matou seus integrantes, por onde os encontra, já que os considera concorrentes na disputa pelo poder na Síria", destacou o general.

Por causa disso, Konashenkov garante que os Estados Unidos e os outros participantes da operação precisam apresentar "provas diretas" de que Al-Baghdadi realmente estava em um território controlado pela Frente al Nusra.

O porta-voz do Ministério de Defesa ainda garantiu que, depois que o Daesh foi derrotado pelo exército da Síria e pelas forças aéreas da Rússia, o que chamou de "nova morte" do líder do grupo não tem importância operacional.

Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, a missão secreta das forças especiais do país, que resultou na morte de Al-Baghdadi, na província de Idlib, durou quatro horas e foi planejada por duas semanas.

Trump garantiu que não houve baixas entre militares americanos, e que vários jihadistas morreram. Mais cedo, o Observatório Sírio de Direitos Humanos divulgou que nove pessoas perderam a vida durante a operação na aldeia de Barisha.

O presidente dos EUA revelou o líder do Daesh vinha sendo monitorado a duas semanas, e que a informação sobre a localização precisa do alvo havia sido dada pelo governo da Turquia 48 horas antes da missão. O chefe de governo ainda explicou que as tropas atravessaram o espaço aéreo da Rússia, por isso, Moscou foi avisada.

O Comando de Operações Conjuntas do Iraque, por sua vez, garantiu que foi a inteligência do país que descobriu o paradeiro do líder do Daesh . Já as Forças da Síria Democrática (FSD), aliança que inclui milícias curdas, também garantem ter tido papel na morte de Al-Baghdadi, apontando que a missão aconteceu após de cinco meses investigações.