Internacional Moçambique registra massacre de civis em Cabo Delgado

Moçambique registra massacre de civis em Cabo Delgado

As mortes teriam sido causadas, de forma bárbara, por radicais islâmicos, que incluem a decapitação e o rapto de mulheres e crianças

  • Internacional | Do R7

António Guterres, secretário-geral da ONU, disse que autoridades precisam investigar o caso

António Guterres, secretário-geral da ONU, disse que autoridades precisam investigar o caso

Arquivo/ EFE/ 19.06.2020

A Agência de Informação de Moçambique afirmou que mais de 50 pessoas foram sequestradas e depois decapitadas na aldeia de Muatide, em Cabo Delgado, "transformando um campo de futebol num campo de extermínio".

Vários órgãos de comunicação moçambicanos, portugueses e internacionais relataram um massacre perpetrado pelo grupo terrorista Estado Islâmico, no final da semana passada, com início na aldeia de Nanjaba.

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De acordo com a rádio TSF, as ações armadas são perpetradas por grupos que se dizem ligados aos extremistas do Estado Islâmico e arrasam tudo por onde passam: "Destroem casas, bens públicos, matam pessoas, raptam meninas, principalmente".

Já a Al Jazeera afirma que as forças governamentais também foram implicadas em graves abusos dos direitos humanos durante as operações na província, incluindo prisões arbitrárias, tortura, uso indevido da força contra civis e execuções extrajudiciais.

Os combates em Cabo Delgado mataram 2.283 pessoas desde o seu início, há mais de três anos. E 355.000 foram obrigados a abandonar as suas casas, afirmou no final o Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA) do mês passado.

O Ministério Público local já acusou 12 iranianos por apoiar os radicais islâmicos. Em dezembro de 2019, eles foram presos em uma embarcação com armas, munições, binóculos e um cartão de crédito. Eles continuam em prisão preventiva.

Investigação

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou esta quarta-feira (11), "veementemente" os massacres em Cabo Delgado, Moçambique, e instou as autoridades do país a conduzir uma investigação sobre os incidentes.

"O secretário-geral está chocado com os recentes relatos de massacres perpetrados por grupos armados [...] em várias aldeias na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique", segundo um comunicado divulgado pelo porta-voz, Stephane Dujarric.

O secretário-geral reiterou o compromisso das Nações Unidas em continuar a apoiar a população e o Governo de Moçambique na abordagem urgente das necessidades humanitárias imediatas e nos esforços para defender os direitos humanos, promover o desenvolvimento e prevenir a propagação do extremismo violento.

Mulheres e crianças tentam fugir em embarcações para Paquetequete

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Helvisney Cardoso/ ONU Moçambique

Deslocamentos e mais mortes

A Organização Internacional para Migrações (OIM) estima que pelo menos 38 pessoas, incluindo muitas crianças, podem ter morrido durante um naufrágio em Moçambique.

O incidente ocorreu em 29 de outubro, na província de Cabo Delgado, que enfrenta combates entre tropas do governo e extremistas islâmicos que invadiram a região. Centenas de navios superlotados estão transportando moradores que fogem da violência.

Nas últimas três semanas, chegaram a Paquetequete, em Pemba, 274 barcos de Cabo Delgado, no nordeste de Moçambique, transportando mais de 13 mil pessoas entre elas 5,9 mil crianças.

Segundo Tomm-Bonde, a agência está pronta para apoiar os esforços do governo para ajudar os sobreviventes, os deslocados internos e as comunidades que os acolhem.

A agência enviou sua equipe da Matriz de Rastreamento de Deslocamento para o ponto de desembarque, na praia em Paquetequete, onde está acompanhando as chegadas diariamente. A equipe de Saúde Mental e Apoio Psicossocial está prestando primeiros socorros psicossociais à comunidade e deslocados internos.

Nos últimos três anos, a insegurança na Província de Cabo Delgado levou ao deslocamento interno de mais de 300 mil pessoas.

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