Internacional Moradores de Sloviansk deixam a cidade sob intensos bombardeios russos

Moradores de Sloviansk deixam a cidade sob intensos bombardeios russos

Município do leste da Ucrânia ficou sem água nem energia elétrica, além de sofrer com ataques cada vez mais intensos da Rússia

AFP

Resumindo a Notícia

  • Uma centena de pessoas deixou Sloviansk, cidade ucraniana que sofre bombardeios russos
  • O local também ficou sem água nem energia elétrica
  • Um bombardeio russo já tinha provocado, na terça-feira, três mortos e seis feridos na cidade
  • O prefeito de Sloviansk pediu a retirada dos moradores da região
Moradores deixam Sloviansk após bombardeios russos, falta de água e energia

Moradores deixam Sloviansk após bombardeios russos, falta de água e energia

ARIS MESSINIS/AFP

Uma centena de pessoas deixou nesta quinta-feira (2) Sloviansk, uma cidade do leste da Ucrânia que ficou sem água nem energia elétrica, depois que seu prefeito pediu a retirada devido aos intensos bombardeios do Exército russo.

"A situação piora, as explosões são cada vez mais intensas e as bombas caem com frequência cada vez maior", explicou à AFP Gulnara Evgaripova, uma estudante de 18 anos, enquanto embarcava em um dos cinco micro-ônibus de retirada que aguardavam em frente a um prédio administrativo de Sloviansk, na região de Donetsk.

Na terça-feira (31), um bombardeio russo já tinha sido responsável por três mortos e seis feridos, informaram à AFP vários moradores da localidade, que antes da invasão russa, em 24 de fevereiro, contava com população local de 100 mil pessoas.

O prefeito de Sloviansk, Vadim Liakh, também reportou nesta quinta-feira um novo bombardeio nos arredores da cidade, que danificou várias linhas de alta-tensão, mas não deixou mortos.

"Não há eletricidade, e o abastecimento de água ficou interrompido", informou Liakh em mensagem no Telegram.

"A melhor solução diante desta situação é se retirar. Cuidem-se. Façam as malas", assegurou.

Diante dessa situação crítica, Dmytro, um operário de 35 anos, se preparava para deixar a cidade. "Não tem água. Minha avó sofre de uma deficiência e minha mãe tem dificuldades em lhe dar banho. Se houvesse água corrente, talvez ficássemos mais tempo", disse.

Diferentemente de outros moradores que se retiraram, Dmytro sabe onde a família poderá se refugiar, mas sua única esperança é que a guerra acabe: "Sempre é melhor viver em casa".

O Exército russo conquistou novos territórios nas últimas semanas no leste da Ucrânia e nesta semana tomou o controle da maior parte da cidade-chave de Severodonetsk, 80 km ao leste de Sloviansk.

Apesar disso, muitos analistas preveem que a guerra ainda vai durar vários meses.

"Não merecemos isso"

Kateryna Perednenko, 24 anos, que integra as equipes de resgate, voltou à cidade há cinco dias, mas já se prepara para partir de novo.

A situação "é muito difícil aqui. Estão bombardeando por todos os lados. É realmente assustador. Não tem água, eletricidade, nem gás", lamenta.

"Ainda não posso acreditar no que está acontecendo conosco. Sinto muita pena. Temo pelo futuro da minha cidade e do meu país. Temo que em breve não reste nada que justifique nosso retorno", acrescenta.

"Não merecemos isso. Não entendo por que sofremos esse castigo. Somos gente boa e pacífica, mas de repente a Rússia decidiu que éramos fascistas", lamenta Leonid, um aposentado de 79 anos, que se preparava para buscar refúgio na capital, Kiev.

No fim de maio, o Exército russo tomou o controle da cidade-chave de Lyman, situada 25 km a nordeste do município que foi deixado.

As forças separatistas pró-russas do Donbass tomaram Sloviansk em 2014, mas o Exército ucraniano recuperou algumas semanas depois o controle da cidade.

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