Morte de jovem negro em protestos gera indignação em Omaha, EUA

Dono de bar atirou durante briga com manifestantes e acertou James Scurlock duas vezes; o homem branco não será acusado de homicídio

James Scurlock morreu durante protestos em Omaha

James Scurlock morreu durante protestos em Omaha

Reprodução / Twitter

A morte de um jovem negro durante os protestos contra o racismo nos EUA gerou uma nova onda de indignação em Omaha, Nebraska. James Scurlock, 22, morreu após ser atingido por dois tiros disparados por Jake Gardner, durante uma briga com manifestantes que passavam pela frente de um bar no sábado (1). Na terça-feira, a polícia e a promotoria local decidiram que o homem branco, que é dono do estabelecimento, agiu em legítima defesa.

A decisão da promotoria é contestada pela família e pela comunidade, incluindo figuras públicas, como a atriz Gabrielle Union e ativistas pelo desarmamento. Uma campanha pela internet foi iniciada para tentar pressionar as autoridades a reverem a decisão e levarem o caso a julgamento.

O promotor Don Kleine diz que, apesar da morte ser "sem sentido", imagens de câmeras de segurança demonstrariam que os disparos feoram feitos em legítima defesa. Os vídeos mostram que Jake Gardner e seu pai, que tentavam expulsar os manifestantes da frente do bar, estariam em uma situação de ameaça à vida, disse Kleine.

Testemunhas dizem que Gardner estava gritando com os manifestantes, inclusive usando termos racistas. Nas imagens, é possível ver que há uma discussão entre um grupo de homens negros e os Gardner. O pai empurra um dos rapazes. Há uma briga envolvendo várias pessoas e dois homens jogam Jake Gardner no chão, que dispara duas vezes sua arma (que ele já estava mostrando ostensivamente antes da briga).

Segundo a rede de TV CNN, a advogado da família de James Scurlock afirma que o rapaz não fazia parte do grupo que discute com os Gardner no vídeo. Afirma também que o dono do bar não tinha uma licença válida para a arma usada no crime. Justin Wayne, que é também membro do Senado Estadual de Nebraska, afirmou que a decisão da promotoria foi rápida demais, até mesmo se comparada com o outro caso emblemático da semana, o da morte de George Floyd.