Internacional Naufrágio de bote perto da costa da Líbia deixa 74 migrantes mortos

Naufrágio de bote perto da costa da Líbia deixa 74 migrantes mortos

Em dois dias, a tripulação de um navio humanitário espanhol realizou três salvamentos e agora tem mais de 250 sobreviventes e seis corpos

  • Internacional | Da EFE

Barco da espanhola ONG Open Arms que faz resgates de imigrantes

Barco da espanhola ONG Open Arms que faz resgates de imigrantes

Domenech Castelló/ EFE/ 19.02.2020

Pelo menos 74 migrantes que pretendiam atravessar o Mediterrâneo para fugir para Europa morreram depois que o bote que ocupavam virou perto da costa da cidade de Homs, na Líbia, segundo informações passada à Agência Efe por fontes da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

De acordo com as mesmas fontes, 121 pessoas, incluindo várias mulheres e menores, viajavam na embarcação, que foi fretada por máfias locais.

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A guarda costeira líbia conseguiu até agora recuperar 31 corpos, que foram deixados em uma praia em Homs, enquanto 47 sobreviventes foram resgatados por um barco de pesca, que os devolveu ao porto.

Uma vez em terra, eles receberam os primeiros socorros dos membros da OIM antes de serem devolvidos aos centros de detenção e internação, que, de acordo com as diversas ONGs que trabalham no local, carecem de condições decentes e são muitas vezes dirigidas por algumas das muitas milícias armadas do país.

Um naufrágio por dia

Foi o terceiro naufrágio na última semana ao longo da costa da Líbia, um país em tumulto e guerra civil. Na última terça-feira, pelo menos 13 pessoas desapareceram em águas internacionais quando um bote que havia saído algumas horas antes afundou de uma praia perto de Trípoli.

Outros 11 foram resgatados pela Guarda Costeira Líbia e levados de volta ao porto, onde receberam primeiros socorros antes de serem interrogados e transferidos para centros de detenção, segundo a OIM, uma agência vinculada às Nações Unidas.

Na quarta-feira, mais seis migrantes morreram quando a embarcação ao qual também pretendiam fugir foi derrubado após terem pagado cerca de 1 mil euros às diversas máfias que operam ao longo da costa oeste do país africano. O território está sob o controle do Governo do Acordo Nacional (GNA), mantido pela ONU em Trípoli desde o fracasso do plano de reconciliação de 2015.

Ambos os naufrágios coincidiram com o resgate de outras 85 pessoas pelo navio humanitário fretado pela ONG espanhola Open Arms, o único atualmente presente no Mediterrâneo central, considerado a rota mais mortal do mundo.

Em menos de dois dias, a tripulação do navio humanitário espanhol realizou três salvamentos e agora tem mais de 250 sobreviventes e seis corpos a bordo, incluindo um bebê.

País inseguro

Segundo dados da OIM, só na última semana mais de 1 mil imigrantes foram interceptados em alto mar por barcos de patrulha e retornaram à Líbia.

Mais de 11 mil pessoas, incluindo 776 mulheres e 638 crianças, foram interceptadas e retornaram à Líbia neste ano até agora, enquanto 236 morreram no mar e 360 foram dadas como desaparecidas na chamada "rota central do Mediterrâneo", considerada a mais mortífera do mundo.

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Desde o início de outubro, cerca de 1,9 mil pessoas foram interceptadas e devolvidas a território líbio, enquanto cerca de 800 conseguiram chegar à Itália.

"A crescente perda de vidas no Mediterrâneo é uma manifestação do fracasso dos Estados em tomar medidas decisivas e em redistribuir a capacidade dedicada e muito necessária de busca e resgate na travessia marítima mais mortífera do mundo", declarou o chefe de missão da OIM na Líbia, Federico Soda, em comunicado.

"Há muito tempo que pedimos uma mudança na abordagem obviamente impraticável da Líbia e do Mediterrâneo, incluindo o fim do retorno ao país, e o estabelecimento de um mecanismo claro de desembarque seguido de solidariedade de outros Estados. Milhares de pessoas vulneráveis continuam pagando o preço da inação tanto no mar quanto em terra", completou.

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