CRISE HUMANITÁRIA
Internacional Navio com 42 imigrantes rompe veto de ministro e entra na Itália

Navio com 42 imigrantes rompe veto de ministro e entra na Itália

ONG diz que embarcação adentrou águas italianas por motivos 'de emergência'. Violação pode render multas, apreensão e consequências penais

Navio de imigrantes na Itália

Embarcação com 42 pessoas a bordo entrou em águas italianas

Embarcação com 42 pessoas a bordo entrou em águas italianas

EFE /Miguel Paquet/17.06.2019

O navio da ONG alemã Sea Watch com 42 imigrantes a bordo comunicou que entrou em águas territoriais italianas por motivos "de emergência", ignorando assim a proibição do Ministério do Interior da Itália que impedia sua entrada sob a condição de sanções e processos penais.

Em comunicado, a ONG explicou que diante de uma situação "mais desesperadora do que nunca" dos imigrantes que estão há 13 dias no navio, a capitã se viu obrigada a entrar nas águas territoriais italianas sob a lei de emergência.

"Nenhuma instituição europeia está disposta a assumir a responsabilidade e defender a dignidade humana na fronteira da Europa no Mediterrâneo. É por isso que temos que assumir a responsabilidade nós mesmos. Entramos em águas italianas, já que não nos restam outras opções para garantir a segurança de nossos hóspedes, cujos direitos básicos foram violados durante tempo suficiente", explicou o presidente da Sea Watch, Johannes Bayer.

A ONG também classificou de "ato político" a decisão de terça-feira (24) do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que não impôs à Itália a obrigação de dar um porto ao navio.

"Temos pessoas a bordo que passaram por horrores na Líbia, que foram fortemente torturadas, mas, mesmo se este não fosse o caso, qualquer pessoa resgatada no mar, por lei, deve ser levada a um local seguro. Estas são pessoas com necessidades básicas e direitos básicos. Uma operação de resgate não termina até que cada pessoa resgatada tenha os dois pés em terra", acrescentou Haidi Sadik, mediador cultural da Sea Watch.

A capitã do navio, a alemã Carola Rackete, de 31 anos, já tinha antecipado que violaria a proibição imposta no decreto aprovado recentemente na Itália, que prevê multas de até 50 mil euros, além da apreensão da embarcação e consequências penais.

Por isso, a Sea Watch começou a pedir hoje doações para o fundo de assistência jurídica da ONG alemã para "ajudar Carola a defender os direitos humanos", já que, se a capitã "levar os imigrantes salvos a um porto seguro, como prevê a lei do mar, enfrentará penas severas na Itália".

No último dia 12 de junho, a embarcação socorreu 53 pessoas (39 homens, nove mulheres e duas crianças pequenas e três menores não acompanhados) e, três dias depois, a Guarda Costeira da Itália realizou uma inspeção sanitária a bordo e decidiu evacuar dez pessoas por motivos médicos, enquanto no último sábado mais uma foi levada a terra firme.