Internacional O adeus ao príncipe Philip já estava planejado há muitos anos

O adeus ao príncipe Philip já estava planejado há muitos anos

Membros da família real britânica costumam deixar os detalhes de seus funerais decididos com bastante antecedência, diz especialista

  • Internacional | Fábio Fleury, do R7

Caminhonete que levará o caixão foi modificada seguindo indicações de Philip

Caminhonete que levará o caixão foi modificada seguindo indicações de Philip

Steve Parsos / Pool via AFP - 14.4.2021

Muito antes de seu falecimento, no último dia 9, o príncipe Philip já havia deixado claro, no funeral que ele mesmo ajudou a planejar, que iria querer uma cerimônia pequena, sem toda a pompa de uma despedida de chefe de Estado. O plano previa cerca de 800 convidados, especialmente membros da família real e seus parentes pela Europa.

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O verdadeiro funeral, que acontece neste sábado (17), vai acabar sendo bem menor do que ele mesmo esperava. A despedida a Philip, consorte da rainha Elizabeth 2ª durante mais de sete décadas, terá a presença de apenas 30 pessoas, seguindo as atuais regras do Reino Unido para esse tipo de ocasião, por conta da pandemia de covid-19.

O príncipe Harry, que atualmente mora nos EUA e está afastado da família real, viajou para Londres para participar. Sua esposa, Meghan Markle, que está nos últimos meses de gravidez, ficou em casa por orientação médica. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, não vai comparecer para deixar uma vaga a mais para familiares e amigos.

Planejado em detalhes

Bem antes de morrer, Philip, que tinha 99 anos, deixou prontos os detalhes do cerimonial, a bandeira que deveria envolver o caixão, as medalhas e símbolos de sua carreira militar que deveriam ficar expostos, ajudou a desenhar as modificações na caminhonete militar que transportará o ataúde e até o brasão do evento.

“Isso é comum na realeza, eles discutem esses detalhes com antecedência. A própria rainha Elizabeth 2ª já tem tudo planejado para o dia de sua morte”, explica Renato Vieira, professor de História da Comunicação nas Faculdades Integradas Rio Branco e autor do livro "God Save The Queen - O imaginário da realeza britânica na mídia"

Para ilustrar isso, ele cita uma série que pode ser vista no filme A Rainha, que narra os problemas que a família real enfrentou na ocasião da morte da princesa Diana, em 1997.

“Tem uma cena que representa isso. Quando a família real, reunida, finalmente decide dar um enterro de realeza para Diana, alguém lembra que ela não deixou um plano. Uma pessoa do cerimonial então fala que tem uma alternativa e a rainha-mãe diz ‘mas esse é o meu plano’”, exemplifica Vieira.

Segundo o especialista, coisas assim mostram que “a morte não encerra a história deles”. Além disso, um dos legados que Philip deixa após mais de 70 anos ao lado de Elizabeth estaria justamente em uma maior comunicação com o povo britânico.

“A rainha sempre foi uma pessoa mais tímida, ele foi quem viu a possibilidade de ter a mídia como uma aliada da família real. Acho que o principal legado foi ter servido de apoio à rainha. Eles cresceram juntos na função e isso representou um período extremamente longo na história do país”, afirma.

E eles não deverão sair do inconsciente coletivo tão cedo. “A maior parte da população não tem outra referência que não seja esse casal. O trabalho diplomático exercido pelos dois foi impressionante, eles visitaram mais de 150 países. Ele também participou de mais de 800 organizações, foi pioneiro em entidades do meio-ambiente. Isso não será esquecido”, ressalta.

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