Obama defende gays, imigrantes e mulheres em seu discurso de posse nos EUA

Presidente norte-americano tomou posse publicamente hoje para mais quaro anos de poder 

Obama discursa para público estimado em 700 mil pessoas

Obama discursa para público estimado em 700 mil pessoas

BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

Diante de mais de meio milhão de pessoas, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tomou posse pública nesta segunda-feira (21) para dar início a seu segundo mandato como mandatário do país.

Após fazer seu juramento, Obama fez um discurso que arrancou aplausos diversas vezes da multidão, defendendo a união do país e a igualdade dos cidadãos norte-americanos, com destaque para os gays, mulheres e imigrantes.

— Nossa jornada não estará completa até que nossas esposas, mães e mulheres ganhem o suficiente. (...) Nossa jornada não estará completa até que nossos irmãos gays sejam tratados de forma igual perante a lei, porque, se somos iguais, nosso amor entre nós é igual.

Famosos e políticos marcam presença na posse de Obama

Obama defendeu ainda os imigrantes do país, dando claros sinais de que irá batalhar pela reforma migratória, e lembrou ainda a proteção das crianças , em clara referência à sua recente batalha pelo controle da venda e uso de armas no país.

— Nossa jornada não estará completa, até que achemos um modo melhor de dar as boas-vindas aos imigrantes esforçados e esperançosos que ainda veem a América como a terra da oportunidade, (...) até que nossas crianças saibam que elas serão sempre cuidadas e protegidas. Essa é a tarefa de nossa geração.

O discurso de Obama foi marcado por diversos pedidos de “união do país como nação”, além de pedir “fortes alianças” em todo o mundo.

O presidente, que ficará no cargo até janeiro de 2017, também lembrou de desafios importantes de sua agenda de governo, como lutar contra a “ameaça da mudança climática”, e continuar a reforma de saúde.

— Não responder à ameaça da mudança climática [seria uma] traição a nossos filhos e às gerações futuras.

O público estimado no National Mall durante a posse de Obama era de entre 700 mil e 800 mil pessoas.

A cerimônia foi encerrada com a cantora Beyoncé cantando o hino dos Estados Unidos.

Após a posse, Obama vai participar de um almoço privado com legisladores e autoridades. Em seguida, o presidente e a primeira-dama, Michelle Obama, vão liderar o desfile de posse por volta das 14h30 locais (17h30 de Brasília), da Pensilvannya Avenue até a Casa Branca.

À noite, eles participarão de dois bailes, muito diferente de 2009, quando ocorreram dez bailes oficiais.

Unidade

Em seu discurso, o 44º presidente usou diversas vezes a frase "Nós, o povo", preâmbulo da Constituição americana, para sugerir que é possível conciliar as verdades defendidas pelos fundadores dos Estados Unidos e um atual sistema político marcado pela discórdia e pelo confronto.

— Agora, as decisões dependem de nós e não podemos nos dar ao luxo de adiá-las mais. Nós devemos agir, sabendo que nosso trabalho será imperfeito.

O discurso de Obama foi notadamente liberal, e defendeu a proteção aos fracos, aos pobres e aos que não possuem atendimento de saúde, e inclui a defesa dos direitos dos gays e a proteção das crianças contra os crimes com armas de fogo.

O presidente também afirmou que a segurança americana não requer uma "guerra perpétua" e prometeu basear a liderança americana global no diálogo, em alianças firmes, mas sem ceder à ameaça do uso da força.

— Nós defenderemos nosso povo e apoiaremos nossos valores por meio da força das armas e do Estado de direito. Demonstraremos a coragem de tentar resolver nossas diferenças com outras nações pacificamente.

E Obama também prometeu combater a ameaça do aquecimento global, apesar do ceticismo por parte do Partido Republicano, e das barreiras políticas para que se possa tomar ações concretas.

Juramento

Mais cedo, Obama prestou juramento com a mão sobre a Bíblia que pertenceu a Abraham Lincoln e outra que foi de Martin Luther King.

O presidente foi anunciado com toques de trombetas à medida que ele subia a escadaria do Capitólio acompanhado pelos gritos de "Obama, Obama, Obama", gritado pela multidão que acompanhava a cerimônia à distância na National Mall (Esplanada Nacional).

Embora não carregue o peso histórico da primeira cerimônia, a nova posse terá toda a pompa e a circunstância, com mandam os mais de 200 anos de tradição.

Obama, sorridente, parecia mais à vontade do que em sua primeira posse, quando assumiu o país completamente sem experiência e enfrentando a ameaça de uma recessão econômica.

Há quatro anos, agradeceu aos americanos que escolheram "a esperança, e não o medo".

Embora o pior da crise econômica tenha sido superado e o presidente democrata tenha encerrado uma guerra, a do Iraque, tudo indica que o tom será mais sóbrio desta vez, já que a ilusão foi substituída pelo realismo e pela pressão constante de um Congresso parcialmente nas mãos da oposição.

Obama já anunciou duas claras prioridades para este novo mandato político: uma complexa reforma migratória integral e uma difícil iniciativa para endurecer a venda de armas.

Mas, antes de conquistar estas mudanças, Obama já tem outra disputa com os republicanos: o fechamento da negociação de um novo teto para a dívida pública.

Obama prestou oficialmente seu juramento de forma privada no dia 20 de janeiro, como exige a Constituição americana.

No entanto, devido ao fato de ser domingo, a 57ª cerimônia de posse presidencial nos Estados Unidos acontece nesta segunda-feira, 21 de janeiro, com um novo juramento, desta vez diante do Capitólio.

Após a cerimônia de posse, Obama e sua esposa Michelle almoçarão no Capitólio, com centenas de convidados, para depois se dirigirem à avenida Pensilvânia e liderarem um desfile até o número 1.600, o endereço da Casa Branca.

Lá presenciarão os desfiles de bandas militares e de representantes de escolas de todo o país.

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