ONU: É preciso mobilizar 10% do PIB mundial para combater pandemia

Secretário-geral das Nações Unidas ressaltou que países desenvolvidos têm de ajudar países menos desenvolvidos para parar o coronavírus agora

Pandemia: ONU pede 10% do PIB mundial

Meninos vendem máscaras em Karachi, no Paquistão: covid-19 gerou crise socioeconômica

Meninos vendem máscaras em Karachi, no Paquistão: covid-19 gerou crise socioeconômica

Akhtar Soomro / Reuters - 31.3.2020

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo para enfrentar o impacto socioeconômico do coronavírus com uma "resposta multilateral em larga escala" que represente pelo menos 10% do PIB mundial. Segundo ele, este seria o valor necessário para fazer frente uma crise comparada à da Segunda Guerra Mundial.

"É essencial que os países desenvolvidos ajudem imediatamente os países menos desenvolvidos a fortalecer seus sistemas de saúde e sua capacidade de resposta para interromper a transmissão", afirmou Guterres. "Caso contrário, enfrentaremos o pesadelo da doença se espalhando como um incêndio florestal no sul do mundo, com milhões de mortes e a possibilidade de a doença reaparecer onde foi suprimida anteriormente".

Para a ONU, a primeira coisa é dar uma resposta "imediata" coordenada para conter as infecções e acabar com a pandemia.

Acesso universal a tratamento e vacinas

Esta resposta, ressaltou Gutterres, tem que prever o fornecimento "acesso universal ao tratamento e vacinas quando tudo estiver pronto".

As declarações de Guterres foram feitas em uma teleconferência a partir da sede das Nações Unidas, que também serviu para apresentar o relatório "Responsabilidade compartilhada, solidariedade global: respondendo ao impacto socioeconômico da covid-19", que reúne todas as previsões e avaliações que as Nações Unidas e organizações internacionais fizeram nos últimos dias sobre a atual crise do coronavírus.

Repetindo o que já tinha defendido durante reunião do G-20, Guterres reforçou a necessidade de lançar um "fundo fiduciário" de US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões), metade dos quais deve estar disponível ao longo dos próximos nove meses. Estes valores teriam que ser revisados de acordo com a evolução da pandemia.