Internacional ONU pede diálogo entre partes em conflito no Iêmen

ONU pede diálogo entre partes em conflito no Iêmen

Sana/Genebra, 11 ago (EFE).- O secretário-geral adjunto para Assuntos Humanitários da ONU, Stephen O'Brien, pediu nesta terça-feira para que as partes em conflito no Iêmen iniciem "um diálogo e garantam uma paz duradoura". Em declarações aos jornalistas no aeroporto de Sana, ao término de sua visita de três dias ao Iêmen, O'Brien disse que esse diálogo entre os rebeldes houthis e as forças leais ao presidente iemenita, Abdo Rabbo Mansour Hadi, "tem que ser a prioridade". O'Brien, o representante de maior categoria da ONU a viajar ao Iêmen desde o início do conflito, em março, afirmou que o povo iemenita sofreu muito por causa da violência. Durante sua estadia no país, se reuniu com pessoas refugiadas na cidade de Amran, cerca de 50 quilômetros ao noroeste da capital, onde comprovou que há "muito a fazer" para ajudar a população iemenita. O presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Peter Maurer, declarou nesta terça-feira que o Iêmen "se desmorona" e que a situação humanitária é "catastrófica e piora dia a dia". Ao término de uma viagem de três dias ao país árabe, Maurer exigiu que a comunidade internacional "se desperte" para solucionar esta crise, na qual morreram cerca de 4 mil pessoas e 1,3 milhão fugiram de suas casas. Mais de 15 milhões de pessoas no Iêmen, incluindo os refugiados internos, precisam de assistência médica, principalmente nas cidades de Áden, Abian, Taiz e Sada, segundo citou em Genebra a Organização Mundial da Saúde (OMS). A ONU alertou na cidade suíça sobre o colapso do sistema de saúde no Iêmen e uma crise alimentícia que afeta quase 13 milhões de habitantes, deixando cerca de um milhão de crianças em desnutrição aguda. "A situação das crianças é especialmente alarmante, com informações que indicam que 850 mil sofrem de desnutrição aguda, número que aumentará até 1,2 milhão nas próximas semanas", disse o relator da ONU sobre o direito à alimentação, Hilal Elver. Cerca de 25% dos centros de saúde estão fechados e uma proporção similar funciona parcialmente, disse o porta-voz Tariq Jasarevic, que advertiu que se a situação continuar assim os centros "seguirão fechando um após outro nas próximas semanas". A OMS demonstrou preocupação com a verba para profissionais de saúde, obrigados a fugir da violência, o que deixou grandes "lacunas no atendimento básico de saúde". "A escassez de energia e combustível resultou o fechamento de unidades de terapia intensiva e salas de cirurgia em quase todos os hospitais de todo o país", apontou Jasarevic. As operações da OMS no Iêmen enfrentam um déficit financeiro de 85% e, se não receber fundos adicionais em breve, o organismo será forçado a fazer cortes em serviços essenciais, como aconteceu recentemente no Iraque por falta de recursos. EFE ja-mv-is-pf/vnm

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