Oposição pede renúncia de presidente de Moçambique 

Filipe Nyusi foi convocado  para julgamento nos EUA por supostamente receber ilegalmente US$ 1 milhão para financiar campanha eleitoral de 2014

Presidente supostamente recebeu dinheiro ilegal

Presidente supostamente recebeu dinheiro ilegal

Grant Lee Neuenburg/ Reuters - 22.11.2019

O principal partido da oposição em Moçambique pediu nesta sexta-feira (22) a renúncia do presidente Filipe Nyusi, depois dele ter sido convocado para julgamento nos Estados Unidos por supostamente receber ilegalmente US$ 1 milhão, cerca de R$ 4 milhões, para financiar sua campanha eleitoral de 2014.

O porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), José Manteigas, considerou hoje em entrevista coletiva que o vínculo de Nyusi com um caso escandaloso de corrupção "põe em risco a reputação, confiança e a legitimidade para continuar liderando o destino do país".

Assim, a Renamo junta-se à terceira força política que também pediu ontem a renúncia do presidente que foi reeleito nas eleições gerais de outubro.

As acusações de que o presidente recebeu da empresa naval Privinvest a quantia de US$ 1 milhão ilegalmente para financiar sua campanha eleitoral de 2014, quando foi eleito para seu primeiro mandato, foram feitas na última quarta-feira em um processo judicial que ocorre nos EUA.

Corrupção

Este é um caso de corrupção envolvendo políticos e empresários moçambicanos na contratação de empréstimos entre 2013 e 2014 no valor de US$ 2 bilhões para vender a investidores em todo o mundo, incluindo os Estados Unidos, através de duas instituições financeiras (Credit Suisse e VTB) com a intenção de enganá-los.

Isso levou o país a violar os critérios da Dívida Externa, prejudicando investidores estrangeiros, que decidiram recorrer a um tribunal federal em Nova York pelas grandes perdas sofridas no caso.

A Justiça americana acusa membros do governo de Moçambique, o grupo franco-libanês Privinvest e três ex-banqueiros do Credit Suisse por supostas propinas de mais de US$ 200 milhões em um falso projeto de defesa marítima.

Até agora, todas as suspeitas se concentraram no antecessor de Nyusi, Armando Guebuza, e em seu governo por esconder a dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que suspendeu seu apoio, junto com outros doadores estrangeiros, causando um colapso monetário e uma forte crise econômica.

No entanto, o advogado da Privinvest, Jean Boustani, alegou que a empresa naval pagou US$ 4 milhões ao partido do governo, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), e mais US$ 1 milhão diretamente ao então candidato Nyusi.

Este processo judicial já resultou na prisão na África do Sul do ex-ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, e do filho mais velho do ex-presidente Guebuza, Ndambi Guebuza.