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Internacional Os livros que tiraram o sono de Donald Trump na Casa Branca

Os livros que tiraram o sono de Donald Trump na Casa Branca

Jornalistas, ex-assessores e até parentes escreveram livros com várias curiosidades e denúncias sobre o comportamento do presidente dos EUA

Leah Millis / Reuters - 18.6.2020

Ao longo dos mais de 3 anos em que está no poder, o presidente dos EUA, Donald Trump, colecionou desafetos, gerou controvérsias e demitiu dezenas de assessores dos mais variados níveis de hierarquia. Nesse ambiente, não é difícil entender porque dezenas de livros sobre ele e seu governo inundaram as livrarias norte-americanas.

Alguns deles, escritos por partidários e amigos, exaltam o presidente e seus feitos no poder. Mas vários outros trazem retratos pouco favoráveis do que acontece nos bastidores do poder, especialmente na Casa Branca.

Apenas na última semana, foram divulgados trechos de um livro escrito pelo ex-assessor de Segurança Nacional John Bolton falando sobre seu período no governo e outro, escrito pela sobrinha do presidente, Maria Trump. Essas e várias outras obras vêm tirando o sono do republicano, conheça alguns deles a seguir.

Favores e pedidos

Bolton descreve troca de favores

Bolton descreve troca de favores

REUTERS/Michelle McLoughlin

Em "The Room Where It Happened: A White House Memoir" (ainda sem título em português), John Bolton descreve episódios perturbadores dentro da Casa Branca. O governo dos EUA chegou a entrar na Justiça para impedir a publicação, mas diversos trechos foram publicados pela imprensa ao longo da semana.

Em um deles, Bolton diz que Trump pediu ajuda ao presidente da China, Xi Jinping, para que o país comprasse mais soja e trigo para impulsionar a agricultura norte-americana e, assim, fortalecer sua campanha para a reeleição em novembro. O pedido teria sido feito em uma reunião do G7 em 2019.

O presidente norte-americano também teria oferecido ajuda ao presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, para encerrar uma investigação contra um banco turco por suposta quebra das sanções econômicas ao Irã. Trump também teria pedido uma invasão militar à Venezuela e tratava o país como território dos EUA.

'Homem mais perigoso do mundo'

O outro livro que tirou o sono do presidente dos EUA esta semana foi escrito pela própria sobrinha dele. Anunciado para julho, pouco antes da convenção nacional do Partido Republicano que apontará Trump para disputar a eleição de novembro, o livro descreve Trump como o "homem mais perigoso do mundo".

Escrito por Maria Trump, filha de Fred Trump Jr, "Too Much And Never Enough: How My Family Created the World's Most Dangerous Man" (Demais e nunca o suficiente: Como Minha Família Criou o Homem Mais Perigoso do Mundo, em tradução livre) fala sobre problemas nas relações da família.

Maria acusa o tio de ter demitido e ridicularizado seu pai — Fred Jr morreu na década de 1980, por problemas de saúde ligados ao alcoolismo — e de ter forjado um testamento do patriarca da família, Fred Trump Sr, para ficar com a maior parte da herança.

Fogo e fúria

Livro de Michael Wolff foi lançado em janeiro de 2018

Livro de Michael Wolff foi lançado em janeiro de 2018

Reuters

O primeiro livro que sacudiu a administração Trump foi "Fogo e Fúria: Por Dentro Da Casa Branca de Trump", do jornalista Michael Wolff. Publicada na primeira semana de 2018, a obra dizia que o próprio empresário não estava preparado para governar o país e não esperava vencer a eleição de 2016.

Wolff afirmou ter feito mais de 200 entrevistas e uma das mais explosivas foi a do ex-assessor de Trump, Steve Bannon, um dos mentores de sua campanha. O livro trazia um relato dele sobre uma reunião entre representantes de Trump e diplomatas russos e questionava a aptidão do bilionário para o cargo.

'Moralmente incapacitado'

Em abril de 2018, foi lançado "A Higher Loyalty: Truth, Lies and Leadership" ("Uma Lealdade Superior: Verdades, Mentiras e Liderança", em tradução livre), livro de memórias de James Comey, ex-diretor do FBI demitido por Trump em 2017.

No texto, Comey diz que o presidente seria "moralmente incapacitado" para o cargo que ocupa e que sua principal prioridade era desmentir um dossiê sobre sua vida privada, que falava sobre aventuras com prostitutas em Moscou. Ele tambémm afirma que Trump tentou interferir em investigações do FBI sobre um ex-assessor pessoal.

Famosos e anônimos

A lista de pessoas que escreveram livros repletos de denúncias contra Trump inclui outros nomes conhecidos, como o jornalista Bob Woodward, a ex-assessora de Trump Omarosa Manigault e a ex-atriz de filmes adultos Stormy Daniels. Outro caso de destaque envolve um funcionário anônimo do governo.

Woodward, que se tornou conhecido por denunciar o escândalo de Watergate, que derrubou o presidente Richard Nixon na década de 1970 escreveu, em "Fear: Trump in the White House" (Ameaça: Trump na Casa Branca"), que Trump havia ordenado o assassinato do presidente da Síria, Bashar al-Assad, entre outras acusações.

Por sua vez, Omarosa, que conheceu Trump quando participou de uma das primeiras edições do reality show "O Aprendiz", relatou em seu livro "Unhinged" ("Desequilibrado", em tradução livre) que o presidente norte-americano teria tido atitudes racistas contra ela e outras mulheres negras de destaque.

Stephanie Clifford, mais conhecida pelo nome artístico de Stormy Daniels, recebeu US$ 150 mil da campanha de Trump em 2016, para não falar publicamente sobre um caso que os dois teriam tido em 2006. No livro "Full Disclosure" ("Divulgação Completa", em tradução livre), ela conta detalhes da relação.

Além dos famosos, um funcionário da Casa Branca, que permanece anônimo até hoje, também escreveu um livro sobre o presidente, após causar alvoroço com um artigo no New York Times. Em "Warning" ("Alerta"), a pessoa desconhecida narra um caos dentro da sede do governo, descreve Trump como amoral e diz que o maior trabalho dos assessores é conter decisões potencialmente desastrosas que ele toma sobre assuntos estratégicos.

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