Protestos contra o racismo

Internacional Pai de Jacob Blake diz que sistema de Justiça nos EUA é racista

Pai de Jacob Blake diz que sistema de Justiça nos EUA é racista

Denúncia foi feita durante marcha em Washington para celebrar 57 anos do discurso de Martin Luther King e relembrou caso de George Floyd

  • Internacional | Da EFE

Blake foi baleado por policiais na frente dos filhos

Blake foi baleado por policiais na frente dos filhos

Bencrump.com

O pai de Jacob Black, homem negro que foi atingido por sete tiros de um policial branco no domingo passado (23), denunciou na sexta-feira (28), em grande manifestação em Washington para celebrar os 57 anos do histórico discurso de Martin Luther King, que há dois sistemas de justiça nos Estados Unidos: um para os negros e outro para os brancos.

"Há dois sistemas de justiça nos EUA. Há um sistema branco e há um sistema negro. O sistema negro não está indo muito bem, mas vamos nos erguer. Cada pessoa negra nos EUA vai se levantar. Estamos cansados", disse o pai de Jacob Blake, que tem o mesmo nome, diante de milhares de pessoas reunidas em frente ao Lincoln Memorial.

"E não vamos mais tolerar isso. Peço a todos que se levantem. Sem justiça, não há paz", exclamou.

Alvo dos disparos da polícia em Kenosha, no estado de Wisconsin, Jacob Black está internado em um hospital e, segundo o pai, ficará paraplégico.

'A mudança está acontecendo'

Junto ao pai de Blake, também discursaram as famílias de outras vítimas da brutalidade policial contra negros nos EUA, como Philonese Floyd, irmão de George Floyd, que foi morto em 25 de maio, em Minneapolis, ao ser sufocado até a morte por um policial branco que ajoelhou sobre seu pescoço.

"Está mais claro do que nunca que a mudança está acontecendo agora, porque exigimos. Todos aqui têm um compromisso, não estariam aqui por qualquer outra razão agora", disse Philonese.

"Gostaria que George estivesse aqui. É por isso que estou protestando. Estou protestando por George, Breonna, Ahmaud, Jacob, Pamela Turner, Michael Brown, Trayvon e qualquer outro que tenha perdida a vida", acrescentou.

Legado

Outra que marcou presença foi a irmã de Floyd, Bridgett, que pediu para os americanos trabalharem em conjunto para fazer as mudanças necessárias para acabar com as injustiças.

"Quero que vocês se perguntem agora, como querem ser lembrados nos livros de história? Qual seria o legado de vocês? Será que as gerações futuras vão se lembrar da gente pela nossa complacência, pela inação? Ou vão se lembrar da nossa empatia, da nossa liderança, da paixão para acabar com as injustiças e o mal no nosso mundo?", perguntou Bridgett Floyd.

A irmã mencionou o discurso de Martin Luther King, feito há 57 anos, e explicou aos manifestantes que eles têm o poder de tornar realidade o sonho do antigo líder dos direitos civis.

"Temos de fazer isso juntos, para as próximas gerações. O meu irmão não pode ser uma voz hoje em dia. Temos de ser essa voz. Temos de ser a mudança e temos de ser o seu legado", completou.

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