Internacional Pais de atirador em escola dos EUA são acusados de homicídio culposo

Pais de atirador em escola dos EUA são acusados de homicídio culposo

Adolescente de 15 anos abriu fogo em colégio de Oxford, em Michigan, deixando quatro mortos e sete feridos

Reuters
Moradores de Oxford prestam homenagem às vítimas do ataque

Moradores de Oxford prestam homenagem às vítimas do ataque

Jeff Kowalsky/AFP - 3.12.2021

Os pais do adolescente de 15 anos que matou quatro colegas em uma escola de Oxford, Michigan, foram acusados de homicídio culposo pela Justiça dos Estados Unidos. O casal responderá por ter comprado a arma para o filho como presente de Natal e ignorado sinais de alerta sobre a violência.

Um mandado de busca foi emitido contra James e Jennifer Crumbley, que seriam alvo de quatro acusações de homicídio culposo cada um ainda nesta sexta-feira (3), três dias após as autoridades afirmarem que o filho deles de 15 anos, Ethan, executou o tiroteio mais mortal em escolas dos Estados Unidos em 2021.

O xerife do condado de Oakland, Michael Bouchard, disse à CNN que a polícia estava procurando pelos Crumbleys depois que o advogado do casal declarou às autoridades que ambos pararam de responder às mensagens.

"Se eles pensam que vão escapar, não vão", afirmou Bouchard, acrescentando que uma "tropa" de detetives, assim como o FBI e o serviço de delegados federais, estava procurando por eles.

Quatro dias antes do tiroteio, Ethan acompanhou o pai a uma loja de armas, onde James Crumbley lhe comprou uma arma semiautomática, disseram os promotores.

Mais tarde naquele dia, Ethan postou fotos da arma nas redes sociais, escrevendo: "Acabei de receber minha nova beleza hoje" e adicionando um emoji de coração. Sua mãe postou no dia seguinte que os dois estavam "testando seu novo presente de Natal", afirmou a promotora Karen McDonald, do condado de Oakland.

A lei de Michigan proíbe a menores de 18 anos a compra ou o porte de armas de fogo, exceto em circunstâncias limitadas, como caça com licença e supervisão de um adulto.

"Essas acusações têm como objetivo responsabilizar os indivíduos que contribuíram para essa tragédia e também enviar uma mensagem: os proprietários de armas têm uma responsabilidade", disse a promotora Karen McDonald em entrevista coletiva nesta sexta-feira.

Os promotores descreveram vários sinais de alerta assustadores nos dias que antecederam o tiroteio na Oxford High School, cerca de 60 km ao norte de Detroit. Em 21 de novembro, um professor viu Ethan Crumbley pesquisando sobre munição em seu celular durante a aula e alertou os funcionários da escola. Eles deixaram mensagens para a mãe do jovem, que não foram respondidas.

Em mensagem de texto para o filho naquele dia, segundo os promotores, Jennifer Crumbley escreveu: "Hahaha, não estou com raiva de você. Você tem que aprender a não ser pego".

Na manhã do tiroteio, um professor descobriu um desenho que Ethan Crumbley havia feito em que retratava uma arma, uma bala e uma figura sangrando. As palavras "Sangue em todos os lugares" e "Os pensamentos não param — me ajude" também foram escritas na folha, entre outras mensagens, de acordo com McDonald.

James e Jennifer Crumbley foram chamados à escola, onde foram instruídos a colocar Ethan em aconselhamento de saúde mental em 48 horas, disse McDonald. Eles "resistiram" à ideia de levar o filho da escola para casa e não revistaram sua mochila nem perguntaram sobre a arma, disse a promotora.

O adolescente voltou para a sala de aula e depois saiu de um banheiro com a arma, matando quatro alunos e ferindo outras sete pessoas, disseram as autoridades.

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