Internacional País mais armado do mundo, EUA registram 34 mortes por armas de fogo todos os dias

País mais armado do mundo, EUA registram 34 mortes por armas de fogo todos os dias

Cidade de Newtown foi palco do massacre que deixou 26 mortos, além do atirador e de sua mãe

País mais armado do mundo, EUA registram 34 mortes por armas de fogo todos os dias

Os Estados Unidos reviveram nesta semana um pesadelo difícil de ser esquecido. Um jovem de 20 anos invadiu na sexta-feira (14) uma escola primária em Newtown, em Connecticut, e abriu fogo contra alunos e funcionários, matando 26 pessoas com vários tiros de fuzil semiautomático: 20 vítimas eram crianças de apenas seis e sete anos.

O massacre traz à tona o debate sobre o controle de armas no país. O jovem atirador usava pistolas e um rifle de guerra, que estavam registradas no nome da mãe dele. Ela foi morta pelo filho dentro da casa onde moravam, antes de ele se dirigir até a escola Sandy Hook e cometer a chacina.

O país registra, a cada dia, 34 assassinatos envolvendo armas de fogo. Os Estados Unidos são o país mais armado do mundo.

Para cometer a chacina, o atirador de Newtown, identificado como Adam Lanza, de 20 anos, precisou de apenas uma arma: um fuzil semiautomático. Ele ainda portava duas pistolas — uma delas ele utilizou para se matar após o massacre.

Conheça as vítimas do massacre

Veja imagens da tragédia em Connecticut

Debate sobre armas

A Segunda Emenda da Constituição dos EUA consagra o direito dos norte-americanos à posse de armas, e a Corte Suprema sempre decidiu a favor frente às tentativas de alguns Estados e cidades para limitá-la.

Os EUA são o país do mundo com mais civis com posse de armas, com entre 270 milhões e 300 milhões, segundo as Nações Unidas, um número que a Associação Nacional do Rifle eleva para mais de 300 milhões.

Em vista disso e, principalmente, por causa da tragédia chocante na escola Sandy Hook, cresceu a pressão no final de semana pela revisão das leis sobre armas.

Os senadores democratas Dianne Feinstein e Charles Schumer apoiaram neste domingo a introdução de um projeto de lei sobre o controle de armas no Congresso do país.

Feinstein anunciou que introduzirá um projeto de lei assim que se constitua o novo Congresso a partir de janeiro.

— Apresentarei o projeto no Senado e o mesmo projeto será apresentado na Câmara (de Representantes). Será um projeto de lei para proibir as armas de assalto. Será proibida a venda, a transferência, a importação e a posse.

"Acho que podemos fazer algo", disse Schumer no programa Face The Nation da "CBS", ressaltando a necessidade de limitar o acesso a armas de grande calibre, assim como a sua munição, para evitar que pessoas "mentalmente instáveis" possam adquiri-las.

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Ao lado de Feinstein, também esteve o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que copreside a associação "Prefeitos contra as Armas Ilegais" junto com seu colega de Boston, Thomas M. Menino.

— Acho que o presidente (Barack Obama) deve consolar o país, mas ele é o comandante-em-chefe, assim como o consolador-em-chefe. É hora do presidente, acredito eu, se colocar de pé e guiar o país em direção ao que devemos fazer.

O massacre

A polícia recebeu o aviso do tiroteio pouco após as aulas começarem, por volta das 9h30 locais (12h30 de Brasília).

O massacre ocorreu em duas salas de aula e no corredor da escola.

Os mais de cem disparos realizados, segundo testemunhas, duraram apenas alguns minutos.

Ao ouvirem os tiros, os professores de outras partes do colégio tentaram proteger seus alunos, trancando portas e os escondendo em armários.

Enquanto isso, Adam disparava contra crianças em duas salas de aulas, além de atingir também funcionárias da escola que tentavam contê-lo: seis delas morreram e uma ficou ferida. Entre os pequenos, 20 foram assassinados.

As motivações para o crime ainda não foram desvendadas pela polícia.

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Segundo a rede de TV CNN, poucos dias antes da chacina Adam tentou comprar armas em uma cidade vizinha. Além disso, ele teria discutido com quatro funcionárias da escola, das quais três teriam sido mortas no ataque — as informações ainda não foram confirmadas oficialmente.

Os investigadores norte-americanos disseram no domingo (16) que não há prazo final para que a motivação do crime seja elucidada. Até que isso aconteça, os norte-americanos continuarão se perguntando por que Adam Lanza matou tantos inocentes.

Enquanto isso, vai crescer ainda mais a pressão sobre os políticos locais para que discutam novas regras sobre o controle de armas no país, para que a compra e venda dos artefatos possam ser reguladas em todo o território norte-americano.

Veja mais no vídeo ao final.

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