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Internacional Países do Brics se destacam na corrida pelas vacinas contra covid

Países do Brics se destacam na corrida pelas vacinas contra covid

Bloco se torna fundamental ao desenvolver 10 imunizantes e por contar com o maior laboratório do mundo, mas Brasil perde espaço

Funcionária ajeita bandeiras dos países do Brics para conferência na China
, em 2017

Funcionária ajeita bandeiras dos países do Brics para conferência na China , em 2017

Wu Hong / Pool via EFE - EPA - Arquivo

A pandemia do novo coronavírus e a corrida internacional por vacinas contra a covid-19 ajudaram a consolidar a importância de pelo menos três dos cinco países-membro do Brics  — a aliança política criada em 2009 e formada hoje por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, considerados os principais países emergentes do mundo.

Leia também: Geopolítica das vacinas: Entenda a relação do Brasil com Índia e China

Até o momento, as nações do bloco contribuíram com o desenvolvimento de dez das 20 principais vacinas contra a covid-19 no mundo (seis desenvolvidas na China, duas na Índia e duas na Rússia). A Índia é sede do Instituto Serum, a maior fabricante de vacinas do mundo, e a China tem uma das indústrias de biotecnologia mais avançadas do planeta.

O Brasil, no entanto, corre o risco de perder espaço para os outros países. Isso porque não aderiu, anos atrás, às políticas do bloco que poderiam ter ajudado a instalar plantas para a fabricação de insumos farmacêuticos no país. Ainda assim, conta com duas instituições mundialmente reconhecidas, o Instituto Butantan, em São Paulo, e a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio.

"Esse foi um erro estratégico lá atrás, o país poderia produzir insumos há bastante tempo e não usou esse mecanismo. Isso tornou o mundo muito dependente da China e da Índia nesse setor. E agora a gente pode ver a importância de se ter essa estrutura no bloco", afirma Márcio Coimbra, professor de Relações Institucionais e Governamentais do Mackenzie-DF.

A importância do Brics

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Segundo Coimbra, a oferta de vacinas pelos países do Brics pode ajudar a equilibrar o mercado mundial, já que os EUA, a União Europeia, o Japão e outros países considerados desenvolvidos, que correspondem a 13% da população mundial, compraram 50% das doses de imunizantes disponíveis no mundo, de empresas que ficam nesses mercados.

A união dos países dentro do bloco pode ser ainda mais complicada do que simplesmente equacionar o fornecimento das vacinas, segundo Evandro Menezes de Carvalho, professor de Direito Internacional e coordenador do Núcleo Brasil-China da FGV-RJ. Na visão dele, divergências regionais e políticas dificultam que todos fechem uma pauta em comum.

"Numa situação de pandemia, nenhum país deveria se dar ao luxo de politizar a questão da vacina porque se trata de salvar vidas, mas não dá para ignorar que os países viram que seria inevitável um uso político e fizeram. A Rússia, por exemplo, que se antecipou na autorização para lançar a Sputnik-V. O Brasil não desenvolveu a sua vacina e fez uma politização às avessas, de rejeição e não participou do desenvolvimento", explica Carvalho.

Uma questão que não foi solucionada a tempo, segundo o professor do Mackenzie-DF, foi a criação de um centro integrado de vacinas, que teria a participação de todos os países do bloco, mas que nunca saiu do papel. A decisão foi tomada após a cúpula do Brics em Joanesburgo, na África do Sul, em 2018, e a Índia deveria ser a sede desse instituto.

"Esse centro seria muito bem vindo hoje. E certamente ajudaria a concentrar os esforços de todos os países, diminuiria a competição. Acredito que no futuro ele deve ser feito. Na cúpula de 2020, Putin pediu aos outros países para acelerar essa criação. É uma pauta positiva e que pode unir mais o bloco", explica.

Diplomacia na pandemia

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As relações diplomáticas estremecidas entre Brasil e China, assim como entre China e Índia, também dificultam esse processo. "A gente ainda não sabe qual vai ser a capacidade do bloco de deixar essas questões políticas de lado, evitar que isso tudo interfira em algo mais amplo, que é a saúde global", afirma.

Isso pode ser visto, por exemplo, no momento em que a China fornece suas vacinas para países alinhados, como Paquistão e Tailândia, e a Índia fez o mesmo com os vizinhos Nepal, Sri Lanka e Bangladesh.

"A diplomacia é feita disso também, relações de confiança com países. Isso interfere nos cálculos da China, sem dúvida, entre atender um país que é hostil e um país que é amigo, não é difícil imaginar para quem vai ser dada a preferência e sobretudo porque a oferta é menor do que a demanda. Isso leva necessariamente a um processo de escolha", ressalta Menezes.

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