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Internacional Pandemia de coronavírus gera surto de racismo contra asiáticos

Pandemia de coronavírus gera surto de racismo contra asiáticos

Comunidades asiáticas no mundo foram alvo de violência física e verbal e segregação depois que vírus foi considerado uma 'doença chinesa'

Asiáticos se tornaram alvo de racismo por medo do coronavírus

Asiáticos se tornaram alvo de racismo por medo do coronavírus

Andrew Kelly/ Reuters

A pandemia de coronavírus já deixou mais de mil mortos pelo mundo e cerca de 130 mil infectados, com mais de 100 casos no Brasil.

Ainda não se sabe o que gerou o vírus, que começou na China e se espalhou pelo mundo, mas casos assim, inevitavelmente, ajudam na disseminação de outro problema: a xenofobia.

Desde janeiro, quando a doença estourou em Wuhan, na China, e se espalhou por 114 países, chineses e outros membros da comunidade asiática pelo mundo se tornaram alvo de agressões físicas e verbais, segregação e comentários ofensivos pela internet.

No começo de março, um estudante de Cingapura foi agredido em um ataque racista no Reino Unido. Pelas redes sociais, não é difícil encontrar registros de agressões contra a comunidade chinesa e casos de bullying em escolas.

O medo do coronavírus inflou ódio contra pessoas que nem tinham viajado recentemente para a China, mas simplesmente por terem traços caracteristicamente asiáticos, se tornaram alvos.

Fotos demais de chineses com máscaras

Desde que as primeiras notícias começaram a sair, fotos de asiáticos ilustram as matérias sobre casos em outros países e descobertas sobre a doença. O uso de imagens de chineses com máscaras acabou tornando a comunidade o “rosto” da pandemia.

Asiáticos se tornaram 'o rosto' da doença e ilustram grande parte das matérias

Asiáticos se tornaram 'o rosto' da doença e ilustram grande parte das matérias

Aly Song/ Reuters - 09.02.2020

Um dos casos mais comentados nas redes sociais foi quando o jornal norte-americano New York Post anunciou, em 1º de março, o primeiro caso de coronavírus em Nova York, na ilha de Manhattan. Na matéria é explicado que a paciente é uma mulher que tinha voltado do Irã, mas a foto usada era a de um homem chinês em outro bairro da cidade.

Outros veículos de imprensa também usaram fotos de chineses em diversas matérias, mesmo quando a doença era importada de outro país, mas acabaram trocando a imagem depois das críticas.

Nos Estados Unidos, a pandemia fez com que o presidente Trump anunciasse restrição de viagens a Europa e decretasse estado de emergência em todo o país. Ainda assim, o líder do partido republicano Kevin McCarthy, se referiu ao coronavírus como sendo “o coronavírus chinês” e foi acusado de xenofobia.

No Brasil, um condomínio postou um comunicado em que segregava os chineses que moram no prédio e alerta sobre novos funcionários chineses e as medidas de segurança que eles, em específico, tinham que tomar.

Quando a doença enfim chegou ao país, no final de fevereiro, veio importada da Itália. Dos 52 casos confirmados no Brasil, nenhum veio da China. Ainda assim, a comunidade asiática no Brasil foi alvo de comentários racistas.

De ‘minoria modelo' para ameaça

Ainda que casos de violência contra asiáticos no Brasil não sejam tão comuns, o cineasta e ativista Hugo Katsuo diz que a comunidade sempre teve uma história complexa no país.

“Sempre existiu discriminação, desde antes da imigração amarela para o Brasil. Tanto que houve, na época, um debate intenso sobre a entrada ou não de imigrantes amarelos no país. Atualmente, somos vistos geralmente como a minoria modelo. Em outras palavras, a minoria que deu certo, a minoria que é trabalhadora, inteligente e esforçada”, explica.

Porém, essa imagem muda em casos de crise, como a do coronavírus. “Dependendo do contexto podemos ser também o ‘perigo amarelo”, afirma.

Perigo amarelo é o termo usado para explicar o medo e insegurança que países ocidentais tem do Extremo Oriente e enxergam os asiáticos como ameaças, diz Katsuo.

Hábitos alimentares na mira

Ainda não se sabe o que causou o coronavírus, mas acredita-se que foi causado pelo consumo de carne de animais exóticos vendidos em um mercado em Wuhan, na província de Hubei. A suspeita foi o suficiente para que especulações e boatos surgissem sobre quais comidas seriam as responsáveis e falar sobre os hábitos alimentares dos chineses.

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“De uma hora para a outra, a imagem de uma comunidade amarela que é inteligente, esforçada, trabalhadora, educada, etc, desapareceu e deu lugar a um outro imaginário. As pessoas passam a associar pessoas amarelas a comidas como a da fake news da ‘sopa de morcego’, associam à doenças, à tradições nojentas”, analisa Katsuo. “O coronavírus foi racializado também, ele foi visto como uma ‘doença asiática’ antes de qualquer coisa”.

Com a violência, as ameaças, a segregação e as encaradas nas ruas e no transporte público, Hugo reforça a necessidade de uma rede de apoio e de ajuda.

“Eu, até agora, não sofri nenhum e não sei como eu reagiria caso sofresse. O que eu os vi fazendo foi procurar na nossa rede de apoio, na nossa militância, um lugar para desabafar e procurar ajuda. Acho que é um momento de nos mantermos cada vez mais unidos, nos organizarmos melhor e criarmos mecanismos de defesa contra essas situações”, conclui.

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