Internacional Para EUA, há 'indícios' de novo uso de armas químicas na Síria

Para EUA, há 'indícios' de novo uso de armas químicas na Síria

Segundo ONU, houve uso de armas químicas em, ao menos, cinco ocasiões durante o conflito

Bombeiros tentam apagar incêndio após bombardeio aéreo em Aleppo, cidade que, antes da guerra, era a mais rica do país

Bombeiros tentam apagar incêndio após bombardeio aéreo em Aleppo, cidade que, antes da guerra, era a mais rica do país

20.04.2014/ZEIN AL-RIFAI/ALEPPO MEDIA CENTRE/AFP

Os Estados Unidos informaram nesta segunda-feira (21) a provável utilização de armas químicas na Síria em abril, supostamente por parte do regime de Damasco.

"Temos indicações do uso de uma substância tóxica químico-industrial, provavelmente cloro, na Síria este mês, contra o povoado de Kafr Zita, controlado pela oposição", disse Jay Carney, porta-voz da Casa Branca.

— Estamos analisando as alegações de que o governo [do presidente Bashar al Assad] é o responsável.

No domingo (20), o governo do presidente francês Francois Hollande anunciou ter informações — sem provas — de que o regime sírio continua usando armas químicas contra a oposição armada.

O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, afirmou que se têm novas "indicações, ainda por verificar, segundo as quais teriam ocorrido ataques químicos recentemente". 

Os ataques, de acordo com o chefe da diplomacia francesa, teriam ocorrido no noroeste do país, perto do Líbano, e seriam "bem menos fortes" do que os de agosto de 2013, mas também fatais. 

Um relatório das Nações Unidas publicado em dezembro concluiu que na Síria houve uso de armas químicas em, ao menos, cinco ocasiões durante o conflito, mas o documento não aponta responsáveis.

80% das armas químicas já saíram do país

A Opaq (Organização para a Proibição das Armas Químicas, da ONU) afirmou no domingo que já foram retirados da Síria 80% das armas químicas e materiais relacionados.

"A missão conjunta OPAQ-ONU na Síria confirmou [no sábado] que aproximadamente 80% das armas químicas e material da Síria foi retirado ou destruído no país", afirmou a organização em um comunicado.

"Este desenvolvimento contribuirá para cumprir o objetivo fixado pelo Conselho Executivo da OPAQ de completar todo o programa de armas químicas da Síria até 30 de junho", acrescentou.

Segundo o acordo entre Rússia e Estados Unidos assinado em setembro de 2013 para a entrega e o desmantelamento do arsenal químico sírio, o regime se comprometeu a destruir suas reservas de armas químicas até 30 de junho.

Síria anuncia eleições presidenciais para 3 de junho

A Síria fará eleições presidenciais em 3 de junho, disse o porta-voz do Parlamento nesta segunda-feira (21), estabelecendo uma data para o pleito que deve levar ao terceiro mandato do presidente Bashar al Assad, dias depois de ele ter dito que suas forças estão vencendo a guerra civil no país.

Países ocidentais e do Golfo Árabe que apoiam oponentes de Assad têm classificado os planos de eleições como uma "paródia de democracia" e disseram que isso destruiria esforços para negociar um acordo de paz.

Monzer Akbik, do grupo de oposição Coalizão Nacional apoiado pelo Ocidente, disse à Reuters que a eleição foi um sinal de que Assad não estava disposto a procurar uma solução política para o conflito.

— Este é um estado de separação da realidade, um estado de negação. Ele não tem qualquer legitimidade antes desta eleição teatral e não terá depois.

A União Europeia reiterou a sua posição contra a realização de uma eleição agora. Ela disse que tal processo "realizado no meio do conflito, apenas em áreas controladas pelo regime e com milhões de sírios deslocados de suas casas, seria uma paródia da democracia, não têm credibilidade alguma, e mina os esforços para alcançar uma solução política".

Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "tais eleições são incompatíveis com a letra e o espírito do comunicado de Genebra", referindo-se a um acordo de junho de 2012 sobre busca de uma transição política na Síria.

Para a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, "o regime sírio sob Assad nunca realizou uma eleição crível, livre e justa e tomou medidas legais e administrativas para garantir que esta votação não será justa".

Os três anos de rebelião contra Assad já mataram mais de 150 mil pessoas, obrigaram milhões de pessoas a fugir de suas casas e levaram o governo a perder o controle sobre faixas de território.

Assad não disse se iria participar da eleição, mas seus aliados do movimento xiita Hezbollah na Rússia e no Líbano disseram que ele vai participar e vencer.

Anunciando a eleição na emissora estatal, o porta-voz do parlamento Mohamed Jihad al-Laham disse que os pedidos de candidatura serão aceitos até 1º de maio. A eleição para sírios que vivem no exterior ocorrerá nas embaixadas do país em 28 de maio, disse.

Assad disse em meados de abril que o conflito atingiu um "ponto de virada" devido às vitórias de suas forças militares contra os rebeldes, disse a mídia estatal.

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