Paraguai faz apelo após fuga de ativistas que estavam no Brasil

Ministro das Relações Exteriores paraguaio lembrou que seu país sempre honrou os compromissos firmados no campo do Direito Internacional

Chanceler paraguaio, Antonio Rivas Palacios

Chanceler paraguaio, Antonio Rivas Palacios

EFE/EPA/FABIO FRUSTACI/10.10.2019

O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Antonio Rivas Palacios, fez apelo nesta quinta-feira (10), em discurso na abertura da IX Conferência Itália-América Latina e Caribe, realizada em Roma, na Itália, pelos três ativistas que fugiram para a Finlândia, após perderem o status de refugiados no Brasil.

"Pedimos aos países irmãos dos continentes americano e europeus que se abstenham de usar mal os instrumentos do Direito Internacional criado para zelar pela integridade e o bem-estar de pessoas em perigo, com a finalidade de proteger as pessoas processadas judicialmente por crimes horrendos que lesaram nossa sociedade e prejudicaram o cidadão de bem", disse o chanceler.

Na última terça-feira, Juan Arrom, Anuncio Martí e Víctor Colman, do extinto Partido Pátria Livre, de esquerda, que são acusados pela Justiça do Paraguai de terem sequestrado Maria Edith Bordón, nora do ex-ministro Enzo Debernardi, em 2002, deixaram Montevidéu na noite de terça-feira em um voo rumo à Finlândia.

Em 2003, os três vieram para o Brasil, acusando a Polícia Nacional de torturá-los para forçar uma confissão do crime e receberam status de refugiados do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mês passado, perderam a condição, por decisão do atual chefe de Estado, Jair Bolsonaro.

Antonio Rivas Palacios, no discurso de hoje, não citou os países, mas se dirigiu ao Uruguai e à Finlândia, para onde Arrom, Martí e Colman embarcaram após escala na Espanha. O chanceler lembrou que o Paraguai sempre honrou os compromissos firmados no campo do Direito Internacional.

"Queremos contribuir para fazer nosso mundo mais justo. Assumimos esse compromisso, no entendimento que, sem paz, segurança e justiça, não é possível se concentrar nas outras batalhas que a sociedade deve enfrentar para evoluir a modelos mais justos, mais prósperos e mais inclusivos", disse.