'Parem de politizar o coronavírus', cobra diretor-geral da OMS

Depois de ameaças e críticas de Trump, Tedros pede que países trabalhem com união e ressalta que organização está fazendo tudo o que pode

Diretor da OMS respondeu críticas e ameaças de Trump

Diretor da OMS respondeu críticas e ameaças de Trump

Christopher Black/WHO/Handout via REUTERS - 16.3.2020

Em meio a uma crise com os Estados Unidos, principal doador da OMS (Organização Mundial da Saúde), o diretor-geral da entidade, Tedros Adanon, pediu, nesta quarta-feira (8), que os países -- sem especificar -- parem de politizar o coronavírus e que comecem a acreditar em união e trabalho conjunto.

Na terça-feira (7), Trump fez uma série de ameaças contra a OMS, disse que deixaria de ajudar financeiramente e alegou que a instituição tinham conhecimento sobre o novo coronavírus antes do que afirmam. Mais que isso, segundo Trump, a entidade não teria feito nada para impedir que a doença se alastrasse pelo mundo.

Tedros ressaltou que a organização só teve conhecimento sobre o vírus há 100 dias e que está “fazendo tudo o que pode” para controlar a pandemia, que já se espalhou por mais de 200 territórios.

Apesar de não se dirigir diretamente os Estados Unidos no discurso de abertura, o diretor foi questionado durante a coletiva de imprensa sobre as ameaças de Trump. “Por favor, pare de politizar o coronavírus”, pediu Tedros.

Além disso, o diretor disse que todos os países deveriam conseguir se unir e trabalhar juntos, esquecer as diferenças e conflitos internos e buscarem soluções para a pandemia.

Segundo ele, quando você politiza um vírus, você enfatiza e destaca as diferenças dentro do próprio território e “terá muitos sacos com corpos”.

“Sem unidade, nós te garantimos que qualquer país, mesmo se tiver muita estrutura, terá dificuldades com essa crise”, explicou.

Tedros também disse que é necessário solidariedade global, tanto na hora das pesquisas por vacinas e por cura, como para trabalharem juntos para conter a pandemia.

Recentemente, os EUA cometeram pirataria ao comprar estoques de equipamentos médicos da China e de outros países, impossibilitando o acesso de outros países, especialmente os mais pobres, de conseguirem máscaras e outros materiais extremamente necessários para evitar o contágio pelo coronavírus.

“Se você não acredita em unidade, se prepare para o pior”, reforçou Tedros.

Financiamento do setor privado

Com o aumento da procura e demanda de equipamentos médicos, como máscaras, a OMS está pedindo ajuda do setor privado para conseguir enviar os materiais aos países que mais precisam.

Segundo Tedros, já foram enviados mais de 2 milhões de equipamentos médicos de uso pessoal e mais de 1 milhão de testes para mais de 100 países.

“Muito mais é necessário, isso não é o suficiente”, disse.

Desde que o vírus foi descoberto e o mundo alertado, Tedros disse que a OMS está trabalhando duro para proteger os mais pobres e vulneráveis não apenas em países em desenvolvimento, mas em todos os países.