Paris: Autor de ataque se radicalizou e planejou ação, diz promotor

Identificado até o momento como Mickael H., o homem comprou duas facas, uma delas com lâmina de 33 centímetros, na manhã dos crimes

Ataque a faca ocorreu na sede da polícia de Paris

Ataque a faca ocorreu na sede da polícia de Paris

REUTERS/Christian Hartmann/03.10.2019

O homem que, na quinta-feira (5), matou quatro pessoas em um ataque com faca na sede da polícia de Paris, onde trabalhava, e depois foi morto, se radicalizou após a conversão ao Islamismo, teve contato com extremistas e planejou a ação, segundo afirmou neste sábado o promotor antiterrorista Jean François Ricard.

Segundo o integrante do grupamento especial do Ministério Público da França, o autor do atentado, identificado até o momento como Mickael H., comprou duas facas, uma delas com lâmina de 33 centímetros, na manhã dos crimes, cometidos com grande violência e em sete minutos, segundo as investigações.

Além disso, ao longo do dia em que atacou a sede da polícia, o homem trocou 33 mensagens com a mulher, que teve a detenção prorrogada hoje pelas autoridades locais.

Apuração do núcleo antiterrorismo

De acordo com a apuração do núcleo antiterrorismo, no passado, Mickael havia manifestado apoio a atos violentos cometidos "em nome do islã", além de ter cortado qualquer contato com mulheres, mudado a forma de vestir.

Além disso, certa vez, em conversa com companheiro de trabalho, chegou a defender o atentado contra a redação da revista francesa Charlie Hebdo, realizado em 2015, que deixou 12 mortos.

Segundo Ricard, o homem havia se convertido há cerca de dez anos e já foi constatado que ele mantinha contatos com integrantes do movimento extremista salafista.

Nos computadores apreendidos na casa do autor do ataque, foram encontradas mensagens de texto trocadas com a mulher, horas antes da compra das facas, com frases como "Allahu Akbar" (Alá é grande, em árabe).

Ataque premeditado

Diante da premeditação do ataque, da vontade do autor de morrer na ação e da radicalização, o Ministério Público da França abriu investigação por assassinato e tentativa de assassinato de autoridades públicas com finalidade terrorista, e também por associação criminosa.

Essa última acusação também deve ser respondida pela mulher de Mickael, que foi presa pouco depois dos crimes terem sido cometidos.

De acordo com Ricard, o homem iniciou ataque contra dois colegas com que trabalhava no mesmo setor, o departamento de informática. As vítimas, de 50 e 38 anos, foram assassinados com "extrema violência". Em seguida, em oura sala, matou um homem de 37 anos.

A quarta vítima, de 39 anos, foi morta no pátio da sede da polícia, mesmo local onde um agente, que estava trabalhando no local atingiu Mickael com o tiro e o matou.

As revelações feitas pelo promotor neste sábado tiveram muito repercussão, com a oposição, inclusive, pedindo a renúncia do ministro do Interior, Christophe Castaner, que pouco depois dos crimes, descartou sinais de radicalização e de terrorismo.