Internacional Pelo menos 15 pessoas morrem em protestos contra o golpe no Sudão

Pelo menos 15 pessoas morrem em protestos contra o golpe no Sudão

Segundo relatos, forças de segurança usaram munição real para dispersar manifestantes em Cartum e outras cidades do país

AFP
Sudaneses protestaram contra o golpe militar na capital, Cartum

Sudaneses protestaram contra o golpe militar na capital, Cartum

AFP - 17.11.2021

Ao menos 15 pessoas foram mortas nesta quarta-feira (17) durante a mais sangrenta repressão aos protestos contra o golpe militar ocorrido em outubro no Sudão, informou um sindicato médico pró-democracia.

Apenas nos subúrbios do norte da capital, Cartum, 11 pessoas, entre elas uma mulher, foram alvejadas por tiros, segundo os médicos. As forças de segurança visavam "a cabeça, o pescoço ou o tronco" dos manifestantes, disse o sindicato.

No total, desde o golpe de 25 de outubro, pelo menos 39 pessoas, incluindo três adolescentes, morreram, e centenas ficaram feridas.

A repressão pareceu piorar nesta quarta-feira. Ao meio-dia, o novo governo militar cortou todas as comunicações telefônicas. A internet está inacessível desde 25 de outubro.

No terceiro dia de protestos em massa, os ativistas não puderam se mobilizar por SMS, como de costume, e havia apenas alguns milhares de manifestantes – em ocasiões anteriores, haviam sido dezenas de milhares.

Todavia, a implantação de segurança e repressão foi mais forte.

"Foi um dia muito ruim para os manifestantes", disse Soha, uma manifestante de 42 anos, à AFP, em Cartum. “Vi uma pessoa ferida a bala atrás de mim, e houve muitas prisões”, acrescentou.

"Crimes contra a humanidade"

A Associação de Profissionais do Sudão, uma das mais ativas na revolta de 2019 que derrubou o ditador Omar al Bashir, denunciou nesta quarta-feira "imensos crimes contra a humanidade", acusando as forças de segurança de "homicídio premeditado".

A polícia nega as acusações, e a emissora estatal anunciou a abertura de uma investigação sobre a morte de manifestantes.

No entanto, na noite desta quarta, o sindicato de médicos acusou as forças de segurança de persegui-los nos hospitais e de jogar bombas de gás lacrimogêneo contra os feridos e ambulâncias.

Apesar dos riscos, centenas de manifestantes seguiam mantendo barricadas pela noite, especialmente nos subúrbios no norte da capital, quando as marchas em outras cidades pelo país já tinham se dispersado.

No dia 25 de outubro, o general Abdel Fattah al Burhan, que dirigia o processo de transição, declarou estado de emergência, dissolveu o governo provisório e deteve os dirigentes civis que participavam do processo.

Como consequência, os EUA suspenderam uma ajuda de US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,8 bilhões) ao Sudão. 

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