Internacional Pequim acusa ativistas de tentar derrubar governo de Hong Kong

Pequim acusa ativistas de tentar derrubar governo de Hong Kong

Porta-voz de órgão do Conselho de Estado afirmou que manifestantes querem tomar o controle da cidade e trabalhar contra o governo chinês

Pequim acusa manifestantes de tentar derrubar governo de Hong Kong

'Eles querem causar instabilidade', afirmou Guang

'Eles querem causar instabilidade', afirmou Guang

HOW HWEE YOUNG/EPA/EFE - 3.9.2019

O governo da China acusou nesta terça-feira (3) os manifestantes que protestam há mais de 13 semanas em Hong Kong de tentarem derrubar o Executivo local para tomar o controle da cidade e transformá-la em uma "entidade independente".

"Eles querem causar instabilidade no governo da região autônoma especial de Hong Kong e roubar seus direitos para transformar Hong Kong em uma entidade política independente ou semi-independente", disse hoje, em entrevista coletiva, Yang Guang, porta-voz do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau, órgão do Conselho de Estado.

"Eles querem exercer plena autoridade na região de Hong Kong e trabalhar contra o governo chinês. É o momento de defender o 'um país, dois sistemas' (princípio orientador pelo qual a cidade mantém alguma autonomia em relação ao resto da China) e a paz e estabilidade em Hong Kong ", ressaltou o porta-voz, classificando os protestos como "intimidação e sequestro político".

Durante seu discurso, Yang renovou seu apoio à chefe do governo local, Carrie Lam, e a polícia, em relação a uma situação que "ainda é complexa", já que "as ações violentas ainda não estão totalmente sob controle".

Diante da possibilidade do governo local recorrer, conforme estabelecido pela Lei Básica (Constituição de Hong Kong), para pedir ajuda às tropas do Exército chinês alojadas em Hong Kong, Yang limitou-se a lembrar que "as instituições chinesas em Hong Kong, incluindo o gabinete do Ministério das Relações Exteriores e as tropas, representam a dignidade e soberania do governo central".

"É algo que não pode ser questionado de forma alguma", disse.

Com isso, a porta-voz do Escritório, Xu Luying, acrescentou que Pequim apoia que as autoridades de Hong Kong "usem todos os meios para acabar com a violência".

Questionado novamente sobre as alegações das autoridades de que os protestos em Hong Kong são uma "revolução de cores" instigada por forças estrangeiras, Yang respondeu que se trata de algo "cada vez mais óbvia", já que "alguns arruaceiros cantam slogans pedindo a independência de Hong Kong", e "pedem uma aliança com os Estados Unidos e Reino Unido".

As manifestações começaram em março deste ano como oposição a polêmica proposta de lei de extradição que, segundo advogados e ativistas, poderia ter permitido a Pequim acessar refugiados "fugitivos" no território de Hong Kong.