Internacional Polícia de Hong Kong ameaça manifestantes com lei de segurança

Polícia de Hong Kong ameaça manifestantes com lei de segurança

Policiais carregavam cartazes alertando que nova legislação poderia ser aplicada nos protestos, que reuniram milhares nesta quarta-feira (1)

Reuters
Policiais de Hong Kong com cartaz avisando que aplicarão nova Lei de Segurança Nacional

Policiais de Hong Kong com cartaz avisando que aplicarão nova Lei de Segurança Nacional

Tyrone Siu / Reuters - 1.7.2020

A polícia de Hong Kong usou canhões de água e gás lacrimogêneo contra manifestantes que foram às ruas desafiando uma legislação de segurança abrangente introduzida pela China que críticos dizem almejar sufocar a dissidência. Os policiais citaram a nova Lei de Segurança Nacional pela primeira vez ao confrontar os manifestantes.

"Vocês estão exibindo bandeiras ou cartazes/bradando slogans/ou se comportando com uma intenção tal como secessão ou subversão, o que pode constituir delitos segundo a... lei de segurança nacional", disse a polícia em uma mensagem exposta em um cartaz roxo.

Pequim revelou os detalhes da lei, prevista há tempos, na noite de terça-feira, depois de semanas de incerteza, colocando uma das cidades mais livres da China e um dos polos financeiros mais sofisticados do mundo em um caminho mais autoritário.

A nova lei punirá os crimes de secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras até com prisão perpétua, abrirá caminho para agências de segurança se instalarem em Hong Kong pela primeira vez e permitirá a extradição à China continental para julgamentos.

Lei é reação a protestos de 2019

O Parlamento chinês adotou a nova lei em reação a protestos do ano passado desencadeados pelo temor de que Pequim esteja minando as liberdades da cidade, garantidas pela fórmula "um país, dois sistemas" acertada quando o território voltou ao controle da China, exatamente há 23 anos.

Nesta quarta-feira, milhares de manifestantes se reuniram no centro para uma manifestação anual que marca o aniversário da transferência da ex-colônia britânica à China em 1997, e o batalhão de choque usou spray de pimenta e disparou balas de chumbo enquanto detia pessoas depois que a multidão tomou as ruas bradando "resistam até o fim" e "independência para Hong Kong".

"Estou com medo de ir para a prisão, mas por justiça tenho que vir hoje, tenho que me manifestar", disse um homem de 35 anos que se identificou como Seth.

A polícia informou ter detido quase 200 pessoas. Até o momento, apenas duas teriam sido enquadradas em delitos previstos pela nova Lei de Segurança Nacional.

Hong Kong é centro financeiro importante

Autoridades de Pequim e de Hong Kong vêm repetindo que a legislação visa alguns "arruaceiros" e que não afetará direitos e liberdades, nem os interesses dos investidores.

Mas críticos temem que ela vise acabar com a oposição pró-democracia e que extermine as liberdades vistas como essenciais para o sucesso de Hong Kong como centro financeiro.

Os Estados Unidos e seus aliados asiáticos e ocidentais criticaram a legislação.

Em Pequim, Zhang Xiaoming, vice-diretor-executivo do Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau, disse aos repórteres que suspeitos presos por um novo escritório de segurança sob controle chinês podem ser julgados na China continental.

EM FOTOS - Protestos e prisões: Hong Kong vive primeiro dia da Lei de Segurança

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