Pompeo: atuação dos EUA contra a China tem apoio de outros países

Nos últimos dias, Washington e Pequim fecharam consulados respectivos, os EUA o da China em Houston, e a China o norte-americano em Chengdu

Pompeo falou sobre a China na audiência do orçamento anual do Departamento de Estado

Pompeo falou sobre a China na audiência do orçamento anual do Departamento de Estado

Mads Claus Rasmussen/Ritzau Scanpix/via REUTERS - 22.7.2020

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse nesta quinta-feira (30) que "a maré está virando" para a China ao afirmar que existe apoio internacional para as políticas aplicadas pelos Estados Unidos contra o país asiático.

Os EUA intensificaram as manobras militares marítimas no Mar do Sul da China e vem fazendo uma campanha de oposição e ameaças de sanções contra a compra e uso de tecnologia chinesa 5G por outros parceiros comerciais da China.

Como reflexo das tensões crescentes entre Washington e Pequim, Pompeo adotou uma linha dura contra a China durante um depoimento ao Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA. 

"Vemos o Partido Comunista chinês como ele é: a ameaça central de nossos tempos", disse Pompeo.

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Nos últimos dias, Washington e Pequim fecharam consulados respectivos --os EUA o da China em Houston, e a China o norte-americano em Chengdu--, e recentemente Pompeo anunciou o fim do status comercial especial de Hong Kong.

"Fechamos o consulado de Houston porque era um antro de espiões", afirmou.

Ele não quis tratar diretamente das reportagens segundo as quais a Rússia ofereceu recompensas pelo assassinato de soldados dos EUA no Afeganistão. "As devidas pessoas estão cientes de qualquer ameaça a nossos soldados em ação no Afeganistão", disse ele em resposta a uma pergunta do senador Bob Menendez, o democrata mais graduado do comitê.

Debate sobre orçamento

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Pompeo depôs publicamente em uma audiência do Comitê de Relações Exteriores do Senado pela primeira vez em 15 meses e debateu o pedido de orçamento anual do Departamento de Estado.

O governo do presidente Donald Trump vem tentando reduzir este orçamento desde que ele tomou posse, o que o Congresso tem rejeitado todos os anos. Parlamentares democratas disseram à audiência que tampouco apoiarão cortes profundos neste ano.

Na semana passada, os democratas do comitê divulgaram um relatório que criticou duramente o período de Pompeo no cargo, dizendo que ele prejudicou a capacidade do departamento para conduzir a diplomacia deixando postos desocupados durante meses, tratando mal diplomatas de carreira e incentivando uma cultura de retaliação.

Parlamentares também perguntaram ao secretário a razão de Trump ter demitido abruptamente Steve Linick, o inspetor-geral do departamento, em maio enquanto ele investigava vendas de armas à Arábia Saudita e alegações de que o próprio Pompeo ordenou indevidamente que um subordinado pago pelos contribuintes se encarregasse de tarefas pessoais.

Pompeo negou irregularidades, repetindo afirmações anteriores de que Linick vazou informações indevidamente.