Internacional Potências ocidentais ameaçam Moscou com sanções por crise na Ucrânia

Potências ocidentais ameaçam Moscou com sanções por crise na Ucrânia

O governo ucraniano afirmou que a Rússia quer começar uma "terceira Guerra Mundial"

Potências ocidentais ameaçaram nesta sexta-feira (25) adotar novas sanções contra a Rússia, que é acusada por Kiev de querer lançar "uma terceira Guerra Mundial" ao apoiar os separatistas do leste da Ucrânia, onde a tensão não para de aumentar.

"Não nos resta muito tempo para acabar com esta bagunça", declarou o chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, durante uma coletiva de imprensa em Tunis com seu colega francês, Laurent Fabius.

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Os líderes americano Barack Obama, francês François Hollande, alemã Angela Merkel, britânico David Cameron e italiano Matteo Renzi "citaram" em uma conversa telefônica a possibilidade de novas sanções contra Moscou. Eles pediram para que a Rússia se abstenha "de declarações provocadoras e manobras de intimidação", segundo a presidência francesa.

Nada parece indicar um fim da confrontação entre Moscou e os ocidentais, enquanto a tensão aumenta a cada dia no leste da Ucrânia entre Kiev e os separatistas pró-russos.

Atingido por um foguete, um helicóptero militar explodiu enquanto pousava no aeroporto de Kramatorsk e seu piloto ficou ferido, segundo as autoridades ucranianas.

A poucos quilômetros de distância, o reduto pró-russo de Slaviansk vive um quase cerco após o ataque, breve e mortal, lançado pelos blindados ucranianos.

Um jornalista da AFP viu soldados fortemente armados montando um posto de controle a 30 km da cidade, enquanto testemunhas observaram os movimentos de blindados a oeste da cidade.

A presidência ucraniana explicou que irá "bloquear Slaviansk" para evitar que o pró-russos enviem reforços para a região. Mas não há previsão para um novo ataque.

"Não vamos nos render", respondeu o líder dos insurgentes de Slaviansk, Vyacheslav Ponomarev. "Estamos prontos para defender a cidade", garantiu.

Neste contexto, a chanceler alemã, Angela Merkel, expressou ao presidente russo, Vladimir Putin, "sua grande preocupação". Ela deve anunciar uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE "o mais breve possível" para estudar novas sanções contra a Rússia.

Americanos e europeus já adotaram sanções contra autoridades russas, mas o medo de medidas que afetem diretamente a sua economia, já enfraquecida, provocou fugas em massa de capitais.

O chanceler russo, Sergueï Lavrov, reagiu acusando os ocidentais de "querer se aproveitar da Ucrânia" para servir as suas "ambições geopolíticas, e não aos interesses do povo ucraniano".

Em Kiev, as autoridade de transição pró-ocidentais lançaram um apelo à comunidade internacional frente as manobras de Moscou, acusado de apoiar a insurreição separatista no leste da Ucrânia.

"As tentativas de agressão do exército russo no território da Ucrânia provocarão um conflito no território da Europa. O mundo não esqueceu a Segunda Guerra Mundial e a Rússia quer iniciar uma terceira guerra mundial", declarou o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, no Conselho de Ministros.

O apoio da Rússia aos terroristas na Ucrânia constitui um crime internacional. Pedimos à comunidade internacional que se una contra a agressão russa", completou.

Em um clima de escalada retórica, a Ucrânia mantém a determinação de prosseguir com a ofensiva militar contra os separatistas pró-Rússia do leste, ativamente apoiados, segundo Kiev, por Moscou.

Em Lugansk, onde os separatistas ocupam as sedes dos serviços de segurança, homens armados lançaram pequenos explosivos contra o prédio do Ministério Público, segundo a polícia.

O ministro do Interior também evocou a explosão de uma granada lançada contra uma barricada de partidários de Kiev em Odessa, que deixou sete feridos.

Moscou, que ameaçou com uma intervenção militar para defender seus interesses e os da população de origem russa na região, iniciou manobras militares ao longo da fronteira ucraniana.

Putin advertiu na quinta-feira que as operações de Kiev contra os separatistas "terão consequências".

As autoridades ucranianas consideram, por sua vez, que a Rússia prepara uma invasão ou uma maneira de desestabilizar a situação política antes da eleição presidencial antecipada de 25 de maio.

A um mês da votação, sua realização parece complicada, dada as condições atuais, e os separatistas preparam um referendo em 11 de maio para decidir sua separação da Ucrânia.

A ex-premiê ucraniana Yulia Timoshenko, candidata à presidência, alertou Putin que uma intervenção em seu país marcaria "o fim de seu regime".

Washington, por sua vez, mobilizou 600 soldados na Polônia e nos países bálticos.

As ameças de sanções já têm causado mal estar na Rússia. A agência de classificação financeira Standard & Poor's rebaixou nesta sexta-feira a nota da dívida da Rússia de "BBB" para "BBB-" e manteve a perspectiva "negativa", em consequência da crise entre Rússia e Ucrânia.

A S&P destacou que pode reduzir novamente a nota da Rússia se observar o "aumento dos riscos para a solvência da Rússia, assim como um crescimento econômico muito mais frágil que o previsto".

A agência destaca que o crescimento econômico russo caiu a 1,3% em 2013, "o menor nível desde 1999".

Frente a uma queda do rublo e a uma aceleração da inflação, o Banco Central russo aumentou em 7,5% sua taxa básica de juros.

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