Prazo para fixar data de novas eleições na Bolívia termina quarta

Ao mesmo tempo, nos próximos três dias, La Paz entrará em quarentena total com a proibição de pessoas e transito de veículos particulares e públicos

Presidente do TSE boliviano, Salvador Romero, mostra acordo para novas eleições

Presidente do TSE boliviano, Salvador Romero, mostra acordo para novas eleições

Martin Alipaz/ EFE/ 02.06.2020

O prazo para a definição da data das novas eleições na Bolívia termina na próxima quarta-feira (24). A lei foi aprovada pelo Senado no dia 9 de junho e a presidente interina Jeanine Áñez precisa promulgar a lei que estabelece para o dia 6 de setembro o pleito. Uma nova quarentena por conta do coronavírus, no entanto, pode atrapalhar o andamento.

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A lei com a nova data conta com a aprovação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e de vários partidos políticos. Apesar de já ter sido aprovada pela Assembleia no dia 9 de junho, ela ainda não foi promulgada. A presidente pode se recusar, mas precisaria devolvê-la à Assembleia, que teria a possibilidade de promulgá-la.

Nesta última terça-feira (16), a presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, afirmou que o país precisa adiar as eleições por um mês ou dois, com relação ao prazo de 6 de setembro, enquanto se aguarda a redução dos contágios por coronavírus. A votação deveria ter acontecido no início de maio, mas foi adiada em função da pandemia.

"Adiar provavelmente um mês ou dois não vai machucar ninguém, além do mais, todos os bolivianos vão ganhar com isso", disse ele durante um evento na cidade boliviana de Tarija.

No dia seguinte ao pedido de Añáez, a presidente do Senado boliviano, Eva Copa, exigiu que a presidente "torne viáveis" as eleições em vez de se "estender" no poder.

Copa, que atua como presidente da Assembléia Legislativa, respondeu desta forma a um pedido enviado por Áñez para assegurar com um relatório médico e científico de que eleições podem ser realizadas sem risco para a população de contágio da covid-19.

As eleições bolivianas irão eleger um presidente, vice-presidente, deputados e senadores que estão pendentes desde a anulação da votação realizada em outubro do ano passado.

Na ocasião, Evo Morales foi declarado vencedor pelo quarto mandato consecutivo e renunciou dias depois, denunciando que ter sido forçado por um golpe de Estado em por pressão dos militares e da polícia, entre outros, para privá-lo de sua nova vitória e derrubá-lo.

Coronavírus

Com o aumento no número de casos na capital La Paz, as autoridades determinaram um fechamento total de três dias que inclue a probição de circulação de veículos particulares e privados. 

Mas a questão sobre a nova data das eleições pode não ter solução definitiva na semana que vem, já que dois funcionários da Câmara de Deputados se contagiaram com coronavírus e as sessões da próxima semana foram suspensas. O local será fechado para desinfecção.

Até o momento, não há informações de que o Senado seja fechado, nem a Alta Câmara.