'Prefiro ter 10% a mais de pobres do que 100 mil mortos', diz Fernández

'Da morte não volta, dos problemas econômicos, sim', disse o presidente da Argentina ao enfatizar a decisão de prorrogar a quarentena

Fernández: 'Dilema saúde ou economia é algo falso'

Fernández: 'Dilema saúde ou economia é algo falso'

Efe/Epa/Filip Singer

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, enfatizou neste domingo (12) a decisão de prorrogar a quarentena obrigatória até 26 de abril, apesar dos custos econômicos e sociais gerados com a medida, e afirmou que prefere "ter mais 10% de pobres do que 100 mil mortos" por causa da pandemia de covid-19.

"Nunca duvide, nunca. Prefiro ter mais 10% de pobres do que 100 ml mortos na Argentina. Da morte não volta, dos problemas econômicos, sim", declarou o mandatário em entrevista publicada pelo jornal Perfil.

'Não viveria em paz se ocorressem mortes evitáveis'

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A Argentina já registrou 2.142 casos confirmados de covid-19, entre eles 90 mortes, segundo as autoridades da saúde. Na opinião de Fernández, "os que plantam o dilema entre economia e saúde estão dizendo algo falso".

"Temos de salvar a economia, tenho de preservar as pequenas e médias empresas e também as grandes empresas. Tenho de preservar aqueles que podem produzir e exportar, que produzem e importam, porque preciso das divisas para comprar respiradores. Tudo o que ainda está a ser tratado, nunca negligenciei. Mas não me peçam para fingir que nada acontece, porque algo muito sério está acontecendo aqui e não posso fingir que não estou prestando atenção nisso", argumentou.

O presidente disse que não poderia "viver em paz sabendo que estão ocorrendo mortes evitáveis" e, embora tenha reconhecido que, com a quarentena obrigatória em vigor desde 20 de março, "a economia está estagnada", destacou que o governo não está poupando esforços para evitar que esta estagnação conduza à falência ou "devore a classe média".