Premiê de Malta pedirá demissão por caso de jornalista assassinada

Joseph Muscat vai entregar cargo assim que partido escolher sucessor para janeiro de 2020. Assassinato de  Daphne Caruana Galizia aconteceu em 2017

Premiê anuncia que vai renunciar a cargo em 2020

Premiê anuncia que vai renunciar a cargo em 2020

Yara Nardi/ Reuters - 29.11.2019

O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, anunciou neste domingo (1) a intenção de entregar o cargo em janeiro, depois de dias de pressão pela ligação de alguns de seus colaboradores no caso do assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia, em 2017.

Em mensagem emitidade pela televisão, Muscat afirmou que pedirá demissão assim que o Partido Trabalhista escolher um sucessor, em um processo que deve ser encerrado em 12 de janeiro. "É disso que o país precisa agora", declarou o premiê, após dias de silêncio.

Malta vem sofrendo um terramoto político devido aos últimos avanços na investigação do crime contra a jornalista, que investigou ligações corruptas entre empresários e políticos malteses e que morreu aos 53 anos de idade quando uma bomba explodiu em seu carro.

O primeiro-ministro informou ao presidente do país, George Vella, a intenção e disse que, enquanto o partido procura por um novo líder, continuará nas funções para, segundo ele, garantir a estabilidade na liderança de Malta.

"A partir de amanhã, temos de olhar em frente. Estou ciente de que, para que isso aconteça, é necessário um sinal claro para começar uma nova página, e eu só posso fazer isso porque devo assumir as responsabilidades mesmo que não esteja envolvido", declarou o premiê.

Ainda hoje, o Partido Trabalhista confirmou unanimemente o apoio a Muscat, que está no poder desde as eleições de 2013. Ele renovou o mandato em 2017, em eleições marcadas pelo escândalo dos Panama Papers, que respingaram em sua esposa.

Malta tem estado em constante protesto durante oito dias depois de o empresário Yotgen Fenech ter sido detido quando tentava deixar o país a bordo do seu iate e foi formalmente acusado de ter sido o único a arquitetar o assassinato da jornalista investigativa.

O magnata, que está preso, acusou o chefe de gabinete de Muscat, Keith Schembri, de ser o cérebro do crime, o que conduziu a uma enorme crise política neste pequeno Estado insular da União Europeia.

O Ministro do Turismo, Konrad Mizzi, e o Ministro da Economia, Chris Cardona, demitiram-se devido à alegada relação financeira com o empresário e principal suspeito, embora este último tenha agora sido reintegrado pelo primeiro-ministro.

Muscat denunciou na sexta-feira que o magnata estava tentando extorqui-lo em troca da graça presidencial, um benefício que foi recusado.

Daphne Caruana Galizia investigou ligações de corrupção nos escalões superiores malteses e publicou as suas conclusões no site "Running Commentary", administrado por ela e de grande popularidade no país.