Premiê iraquiano vê saída de tropas estrangeiras como 'única solução'

Mahdi, que também comanda Forças Armadas do Iraque, diz que Estado Islâmico está frágil e presença de militares estrangeiros não se justifica mais

Mahdi: 'Iraque já viveu sem tropas estrangeiras'

Mahdi: 'Iraque já viveu sem tropas estrangeiras'

Gabinete do Primeiro Ministro do Iraque via EFE/EPA - 5.1.2020

O primeiro-ministro do Iraque, Adel Abdel Mahdi, afirmou nesta terça-feira (7) ao Conselho de Ministros que considera a saída das tropas internacionais em atuação no país como a "única solução" em meio à crise detonada no Oriente Médio após o ataque com um drone dos Estados Unidos que na última sexta-feira matou, em Bagdá, Qasem Soleimani, um dos principais líderes militares do Irã.

"O que sugerimos ao Parlamento sobre a saída das forças (estrangeiras) é a única solução (...) Não temos outra saída", defendeu o premiê e também comandante das Forças Armadas iraquianas em discurso.

Abdel Mahdi argumentou que o Iraque já viveu entre 2011 e 2014 sem a presença de tropas internacionais e que o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) é hoje muito mais "frágil" - em referência à principal missão da coalizão liderada pelos EUA no país, a de combater a organização.

Iraque diz ter recebido carta dos EUA sobre tropas

O premiê também confirmou o recebimento de uma carta do Comando dos Estados Unidos com uma referência "clara" a uma "retirada" das tropas americanas, apesar de algumas horas depois o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, ter negado que elas deixariam o Iraque.

De acordo com Abdel Mahdi, o Iraque tentou verificar a autenticidade da carta e teve a atenção chamada para o fato de que "a tradução para o árabe de um dos parágrafos era contrária ao texto inglês", e com isso o Comando dos EUA enviou uma segunda versão que coincidia com a língua original.

Parlamento iraquiano pediu saída de estrangeiros

O Parlamento iraquiano aprovou no domingo uma moção solicitando ao governo para que ponha fim à presença de qualquer força estrangeira no país e cancele o pedido de ajuda da coalizão internacional contra o Estado Islâmico.

A aliança tinha anunciado apenas uma hora antes que suspenderia as atividades de apoio e treinamento às tropas iraquianas para se concentrar na proteção das bases onde atuam no Iraque.