Internacional Presidente turco acusa general da Líbia de realizar limpeza étnica 

Presidente turco acusa general da Líbia de realizar limpeza étnica 

Erdogan já descreveu Hafter como golpista e declarou que o general mostrou sua 'verdadeira face' ao sair das negociações de paz sem assinar o cessar-fogo

Limpeza étnica

Erdogan afirmou que Hafter também pretende eliminar Erdogan os líbios de ascendência turca

Erdogan afirmou que Hafter também pretende eliminar Erdogan os líbios de ascendência turca

ADEM ALTAN/AFP

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou nesta terça-feira (14) o general rebelde líbio Khalifa Hafter de querer realizar uma limpeza étnica e advertiu que, se os ataques continuarem, a Turquia não hesitará em "dar a lição que ele merece".

"Há irmãos árabes que não estão com Hafter, e Hafter quer eliminá-los. Hafter busca a limpeza étnica", denunciou o mandatário islâmico turco. Ele disse que o general líbio mostrou "sua verdadeira face" ao deixar as negociações de paz realizadas ontem em Moscou sem assinar o acordo de cessar-fogo permanente.

Durante uma reunião do governante Partido da Justiça e Desenvolvimento, Erdogan afirmou que na Líbia vivem um milhão de líbios de ascendência turca da época em que o país pertencia ao Império Otomano (até 1912), e que Hafter também pretende eliminá-los.

"Não podemos virar as costas aos nossos irmãos líbios que querem a nossa ajuda. Se Hafter continuar com os seus ataques, não recuaremos em dar a lição que ele merece", disse o presidente, que ressaltou que a Turquia se manterá presente no país até "dar liberdade aos líbios".

A Turquia enviou um pequeno número de assessores militares em apoio ao governo reconhecido pela ONU (Organização das Nações Unidas) em Trípoli, em oposição às forças de Hafter, que controlam uma grande parte do país e do petróleo. Segundo vários jornais turcos, Ancara também recrutou combatentes de várias milícias sírias para levá-los à Líbia.

Erdogan, que já descreveu o general várias vezes como "golpista", declarou que Hafter mostrou sua "verdadeira face" ao sair da rodada de negociações de ontem sem ter assinado o cessar-fogo permanente com Fayez al Serraj, líder do governo reconhecido pela ONU.

Esta negociação foi promovida pela Turquia e pela Rússia, que apoia Hafter, após os dois países terem proposto na semana passada um cessar-fogo que está em vigor, embora fragilmente, desde o dia 12.

Erdogan afirmou que a conferência internacional patrocinada pela ONU para encontrar uma saída para a guerra civil na Líbia será realizada em Berlim no dia 19 de janeiro.