Principal rabino britânico diz que Corbyn não conteve antissemitismo

Religioso criticou opositor por não impedir discriminação dentro do Partido Trabalhista e disse que ele não é adequado para ser primeiro-ministro

Rabino critica líder trabalhista por não conter antissemitismo

Rabino critica líder trabalhista por não conter antissemitismo

Henry Nicholls/ Reuters - Simon Dawson/ Reuters

O principal rabino do Reino Unido, Ephraim Mirvis, disse que o líder do opositor Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, é inadequado para ser primeiro-ministro por não ter contido o antissemitismo "sancionado a partir do topo" que hoje domina o partido.

Seus comentários agitaram a campanha para a eleição de 12 de dezembro, na qual o país enfrentará uma escolha dura entre o premiê, Boris Johnson, que oferece uma desfiliação da União Europeia, e Corbyn, que propõe uma visão socialista radical para a quinta maior economia do mundo.

Em um artigo publicado no jornal The Times, o rabino chefe Ephraim Mirvis questionou o quão cúmplice de preconceito um líder de oposição teria que ser para ser considerado inadequado para governar.

"É uma falha de liderança. Um novo veneno – sancionado a partir do topo – se enraizou no Partido Trabalhista", escreveu Mirvis, das Congregações Hebraicas Unidas da Comunidade das Nações. "Não tenham dúvida, a própria alma da nação está em jogo."

Tal intervenção de um líder religioso é incomum na política britânica. O líder anglicano, Justin Welby, disse que ela é inédita e que indica o temor sentido por muitos judeus.

A visão de Corbyn

Desde que Corbyn, defensor de longa data dos direitos dos palestinos, chocou o establishment tornando-se o líder trabalhista em 2015, vem sendo assolado por críticas de correligionários, parlamentares e líderes judeus por não ter combatido o antissemitismo.

Ele disse diversas vezes que abomina o antissemitismo, e apoiadores acusam seus inimigos de tentarem obter capital político.

Mas nove de seus parlamentares abandonaram o partido em fevereiro, citando entre outras razões a maneira como a liderança lidou com as acusações, e em maio a agência britânica de monitoramento da igualdade iniciou uma investigação sobre uma possível discriminação da sigla.