Programa Mundial de Alimentos pede ajuda a multimilionários

Organização lançou uma convocatória para arrecadar US$ 6,8 bilhões nos próximos seis meses, mas só recebeu US$ 1,6 bilhão em doações até agora

Programa pede ajuda a multimilionários para salvar vidas

Programa pede ajuda a multimilionários para salvar vidas

Alissa Everett/Reuters

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), reconhecido este ano com o Prêmio Nobel da Paz, fez na sexta-feira (16) um pedido inédito aos multimilionários do mundo, para que ajudem a salvar vidas diante da crise causada pela pandemia do novo coronavírus, que pode levar agravar o problema da fome em dezenas de países.

"Peço aos multimilionários que nos ajudem agora. A humanidade precisa de ajuda agora, e este é um pedido único", disse o diretor executivo do PMA, David Beasley, em entrevista coletiva virtual nesta sexta-feira, Dia Mundial da Alimentação.

"O mundo está em uma encruzilhada e precisamos que os multimilionários colaborem como nunca o fizeram antes", acrescentou Beasley.

Durante o evento, o diretor do PMA também lembrou que as pessoas mais ricas dos Estados Unidos acumulam, juntas, uma fortuna equivalente a US$ 1 trilhão e fez referência aos enormes lucros obtidos pelas grandes empresas do setor de tecnologia graças à pandemia, que, por outro lado, ameaça a segurança alimentar de milhões de pessoas.

De acordo com um relatório publicado recentemente pelo Institute for Policy Studies, os 643 americanos mais ricos aumentaram seus patrimônios em US$ 845 bilhões entre 18 de março e 15 de setembro deste ano.

"Por que não podemos usar parte desse dinheiro? Não preciso de US$ 1 trilhão, só de alguns bilhões de dólares para salvar milhões de vidas, para salvar a humanidade de uma das maiores catástrofes desde a Segunda Guerra Mundial", argumentou o especialista.

"Não é pedir muito. Senhor, tenha misericórdia. Se você passar de um patrimônio líquido de 500 bilhões para um de 495 bilhões, acho que você não terá que se privar de uma refeição", disse ele.

Beasley, voltou recentemente de uma visita ao Sahel, região no norte da África que inclui territórios de países como Gâmbia, Senegal, Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Argélia, Níger, Nigéria, Camarões, Sudão e Eritreia, entre outros, e destacou as dificuldades enfrentadas pela população local, assim como pelos cidadãos de outros Estados, como Iémen, Afeganistão e Síria.

Além disso, ele afirmou que as doações dos países-membros do PMA, que em 2019 foi de US$ 8,4 bilhões, pode ser comprometida pela pandemia, já que "os países ricos destinaram US$ 17 bilhões a pacotes de estímulo para resgatar suas próprias economias".

No início da semana, o Programa Mundial de Alimentos lançou uma convocatória para arrecadar US$ 6,8 bilhões nos próximos seis meses para combater a fome, mas só recebeu US$ 1,6 bilhão em doações até agora.

No dia 9 de outubro, a agência da ONU foi anunciada como vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2020 "por seus esforços no combate à fome, por sua contribuição para melhorar as condições de paz em áreas afetadas por conflitos e por atuar como uma força motriz nos esforços para prevenir o uso da fome como arma de guerra. e conflito", segundo o comitê que otorga o reconhecimento.