Putin expressa apoio a reforma constitucional de Belarus

Ex-república soviética enfrenta protestos contra o presidente Alexandr Lukashenko, que se mantém há 26 anos no poder

Putin e Lukashenko tiveram reunião na cidade russa de Sochi

Putin e Lukashenko tiveram reunião na cidade russa de Sochi

EFE/EPA/KREMLIN

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou nesta segunda-feira (14) ao mandatário de Belarus, Alexandr Lukashenko, apoio à reforma constitucional como forma de resolver a crise na antiga república soviética, e repudiou qualquer interferência externa.

"Estamos cientes da proposta de começar a trabalhar na Constituição. Penso que é lógico, oportuno e conveniente", disse Putin no início da reunião entre ambos na residência presidencial em Sochi.

Na primeira reunião entre os dois líderes desde o início dos protestos anti-governo em Belarus, Putin frisou que cabe aos bielorussos resolverem sozinhos a crise que surgiu depois das eleições presidenciais de 9 de agosto.

"Somos a favor dos próprios bielorussos, sem sugestões e pressões do exterior, resolvendo esta situação e chegando a uma solução comum", argumentou o mandatário russo.

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Putin, que anunciou a criação de uma força policial conjunta para intervir em Belarus em caso de necessidade, destacou que Moscou cumprirá as obrigações no âmbito da União da Rússia e Belarus e da Organização do Tratado de Segurança Coletiva.

Segundo Putin, a Rússia vê Belarus como um aliado muito próximo, motivo pelo qual concordou com Minsk em conceder um crédito no valor de US$ 1,5 bilhões. Lukashenko agradeceu a Putin e ao povo russo pelo apoio em um momento em que protestos em massa ocorrem em diversas cidades do país.

"[Putin] agiu de forma muito decente. Os amigos são vistos em tempos de dificuldade", comentou o governante bielorrusso.

Lukashenko, que criticou a Rússia por tentar desestabilizar a situação em Belarus durante toda a campanha eleitoral, disse que aprendeu a "lição".

Além disso, denunciou que os Estados Unidos mobilizaram tropas a 15 km da fronteira bielorrussa, o que obrigou Minsk a posicionar o Exército na região de Grodno, que faz fronteira com Lituânia e Polônia.

Por isso, disse considerar necessário que Moscou e Minsk se preparem para "contra-atacar" em caso de agressão externa.

Putin explicou que as tropas russas, que serão mobilizadas a partir desta segunda-feira em Belarus para as manobras anti-terroristas "Fraternidade Eslava", voltarão às suas bases quando os exercícios terminarem.