Internacional Quase 49 milhões de franceses decidem entre Macron e Le Pen neste domingo (24)

Quase 49 milhões de franceses decidem entre Macron e Le Pen neste domingo (24)

Pesquisas apontam vantagem do atual presidente em relação à adversária; resultado da eleição presidencial será divulgado após as 20h no horário local (15h em Brasília)

AFP
Cartão eleitoral é mostrado na frente de cartazes de Macron e Le Pen

Cartão eleitoral é mostrado na frente de cartazes de Macron e Le Pen

Pascal Guyot/AFP - 21.04.2022

Os franceses votam neste domingo (24) para decidir se confiam um novo mandato ao presidente centrista Emmanuel Macron ou se voltam para a extrema direita com Marine Le Pen, numa eleição crucial com réplicas no mundo.

Quase 49 milhões de franceses são chamados às urnas. Até o meio-dia do horário local (7h em Brasília), 26,41% já haviam votado – incluindo Le Pen, em seu reduto de Hénin-Beaumont, no norte –, ou seja, quase um ponto a mais em comparação com o primeiro turno e cerca de dois pontos a menos em comparação com a votação de 2017, segundo dados do Ministério do Interior.

De acordo com as últimas pesquisas divulgadas na sexta-feira (22), o candidato do La République en Marche (LREM), de 44 anos, venceria sua rival da Agrupación Nacional (RN), de 53 anos, com uma vantagem menor do que em 2017, quando foi proclamado presidente com 66,1% dos votos.

Cinco anos depois, a França não é o mesmo país: protestos sociais marcaram a primeira metade do mandato de Macron, uma pandemia global confinou milhões de pessoas e a ofensiva russa contra a Ucrânia abalou com força o continente europeu.

A guerra às portas da União Europeia (UE) sobrevoou a campanha, embora a principal preocupação dos franceses fosse o seu poder de compra, num contexto de subida dos preços da energia e dos alimentos.

Além de escolherem entre dois modelos de sociedade, os eleitores da França têm nas mãos a escolha do lugar no mundo que querem para essa potência econômica e nuclear até 2027, decisão que poderá envolver mudanças nas alianças caso Le Pen vença.

A herdeira da Frente Nacional propõe inscrever na Constituição a "prioridade nacional" de excluir os estrangeiros da assistência social e defende o abandono do comando integrado da Otan e a redução dos poderes da UE.

Em vez disso, o presidente cessante defende mais Europa, em questões econômicas, sociais e de defesa, e recupera seu impulso reformista e liberal, com sua proposta emblemática de adiar a idade de aposentadoria de 62 para 65 anos, que em 2020 gerou protestos em massa.

"Entre peste e cólera, devemos tomar a decisão certa", disse Pierre Charollais, aposentado de 67 anos, em Rennes (oeste), defendendo um "voto responsável" em um contexto "particular", devido à guerra na Ucrânia e à presidência francesa da UE.

Os primeiros-ministros social-democratas de Alemanha, Espanha e Portugal, bem como o ex-presidente de esquerda do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, manifestaram seu apoio a Macron durante a campanha.

Sophie Ramis, Paz Pizarro, Maria-Cecila Rezende, Kenan Augeard/AFP

O abstencionista desconhecido

As assembleias de voto serão encerradas às 20h (15h em Brasília), após o que serão conhecidos os resultados. Le Pen pode se tornar a primeira mulher a ocupar a Presidência da França, e Macron, o primeiro presidente a ser reeleito desde o conservador Jacques Chirac (1995-2007).

A abstenção é anunciada como uma das principais incógnitas da votação, especialmente quando o desencanto de ter que votar novamente entre Macron e Le Pen se espalha entre parte do eleitorado, principalmente entre os jovens e os eleitores do esquerdista Jean-Luc Mélenchon.

"É complicado, estamos votando um pouco para trás no segundo turno, temos que dizer o que é. Infelizmente, no primeiro turno não saiu exatamente o que eu queria", disse Robin Darchicourt, do arquipélago francês de Guadalupe, à AFP.

Em 10 de abril, Mélenchon prevaleceu na região e ficou em terceiro lugar em toda a França, com quase 22% dos votos. Os dois finalistas piscaram para seus eleitores durante toda a campanha, na tentativa de mobilizá-los e engajá-los.

Le Pen optou por aparecer como defensora do poder aquisitivo, contra um rival que, em sua opinião, despreza as classes populares. Macron fez um esforço para desmantelar o programa de Le Pen e alertar para o perigo da chegada da extrema direita ao poder.

"Poderíamos atingir o recorde do menor número de votos em uma eleição presidencial", disse o cientista político Bruno Cautrès ao jornal Libération neste sábado (23). Para ele, a abstenção final de eleitores de esquerda "não reverteria a tendência" favorável a Macron.

"Independentemente do vencedor, o país será mais difícil de governar nos próximos cinco anos", disse a cientista política Chloé Morin à AFP. Uma das chaves estará nas eleições legislativas que serão realizadas nos dias 12 e 19 de junho.

De acordo com uma pesquisa do BVA realizada na última sexta-feira, 66% querem que Macron perca sua maioria parlamentar. A última "coabitação" remonta ao período de 1997 a 2002, quando Chirac nomeou o socialista Lionel Jospin como primeiro-ministro.

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