Internacional Reforma de casa de aliado nazista em Kosovo divide opiniões

Reforma de casa de aliado nazista em Kosovo divide opiniões

Governo vê obras como preservação de patrimônio, enquanto entidades temem por um "embranquecimento" histórico

Reuters
Casa foi projetada por arquitetos austríacos na década de 1930

Casa foi projetada por arquitetos austríacos na década de 1930

Laura Hasani/Reuters - 10.2.2022

A reforma de uma casa em Kosovo que pertencia a um ministro de um governo pró-nazismo durante a Segunda Guerra Mundial tem gerado ira, com a Alemanha alertando sobre um "embranquecimento" histórico e a União Europeia e as Nações Unidas interrompendo o projeto.

A casa de três andares de tijolos vermelhos em Mitrovica, projetada na década de 1930 por arquitetos austríacos, foi a casa de Xhafer Deva, que serviu como ministro do Interior do governo pró-Alemanha em 1943 e 1944.

Em uma declaração conjunta, o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) em Kosovo e a União Europeia pediram desculpas por omitir o histórico de Deva quando anunciaram o projeto de restaurar a casa como patrimônio cultural.

O embaixador da Alemanha no Kosovo, Joren Rohde, disse estar muito preocupado com a reforma.

"Não distorça a verdade sobre o Holocausto ou crimes de guerra cometidos pelos nazistas e colaboradores locais", disse Rohde no Twitter nesta semana, acrescentando que o projeto arrisca embranquecer a história.

Hajrulla Ceku, Ministro da Cultura do Kosovo, defendeu o projeto de restauração em uma coletiva de imprensa no dia seguinte à decisão da União Europeia e do Pnud de interromper o trabalho no local.

"Estamos restaurando o monumento, mas não a história de Xhafer Deva", disse Ceku. Ele não confirmou se o governo de Kosovo continuará trabalhando na restauração. Na época em que Deva era ministro, Kosovo era considerado pela Alemanha como parte da Albânia.

Historiadores dizem que unidades da força de segurança sob o comando de Deva, que viam os nazistas como aliados para combater os comunistas, cometeram atrocidades, incluindo o massacre de supostos simpatizantes antifascistas. Algumas pesquisas recentes, no entanto, dizem que Deva pode ter ajudado a proteger os judeus.

"Ele é um criminoso de guerra, cometeu crimes contra seus oponentes políticos, mas pessoalmente nunca concordou em entregar listas de judeus de Kosovo, apesar da persistência das autoridades nazistas", disse Durim Abdullahu, docente de história na universidade estadual de Pristina.

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