Reino Unido pode ter mais de 40 mil mortos, mas pensa em reabertura

Contagem do governo soma atestados de óbito de casos em que a causa suspeita de morte é a covid-19, mas ainda não há confirmação por testes

Centro de Londres continua esvaziado durante a quarentena

Centro de Londres continua esvaziado durante a quarentena

Will Oliver / EFE - EPA - 12.5.2020

O Reino Unido se prepara para começar a afrouxar as medidas de contenção nesta quarta-feira, mesmo depois de ter sido revelado nesta terça-feira (12) que o número de atestados de óbito que apontam a covid-19 como possível causa de morte ultrapassou 40 mil no país desde o início da pandemia do coronavírus.

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A estimativa supera o número de mortes por coronavírus em hospitais, residências e asilos confirmadas por um testes, oferecido diariamente pela Secretaria de Estado da Saúde, que hoje é de 32.692. Hoje, foram reportadas 627 novas vítimas.

O pico de mortes vinha seguindo um declínio constante nos três dias anteriores, com 346 no sábado, 269 no domingo, quando o governo anunciou o plano de reduzir o confinamento, e 210 nesta segunda.

Dados semanais fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatísticas Britânico (ONS) também mostram que houve 35.044 mortes suspeitas de terem sido causadas pelo coronavírus na Inglaterra e no País de Gales até o último sábado.

Somando esses números aos publicados por Escócia e Irlanda do Norte, um total de 40.496 pessoas pode ter morrido até agora no país como vítimas do vírus SARS-CoV-2.

Além disso, de acordo com um modelo desenvolvido pelo jornal "Financial Times" a partir de dados das agências de estatísticas britânicas, houve mais de 60 mil mortes acima da média no Reino Unido por qualquer causa desde que a pandemia começou.

Saída gradual do confinamento

Apesar do último aumento na mortalidade, o governo mantém a recomendação de que os funcionários que não podem trabalhar em casa comecem a conversar com suas empresas a partir de amanhã para organizar o retorno às atividades.

A partir desta quarta, além disso, atividades físicas fora de casa serão permitidas limitações de tempo, e pessoas que não moram juntas poderão se encontrar, desde que seja mantida uma distância de segurança de dois metros entre elas.

Na prática, o roteiro anunciado no último domingo pelo primeiro-ministro, Boris Johnson, só será cumprido na Inglaterra, já que os governos autônomos de Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte consideram a o fim do isolamento social prematuro e usaram seus poderes pela primeira vez nesta crise para se distanciar do Poder Executivo central.

A ministra-chefe da Irlanda do Norte, Arlene Foster, foi a última a apresentar seu próprio plano para afrouxar as medidas na região autônoma hoje.

"Este não é o momento de suspender restrições. Se as restrições forem removidas muito cedo, ou de uma forma que não possamos controlar, vamos ver resultados negativos nos próximos dias ou semanas", declarou.

Edimburgo, Cardiff e Belfast também se recusaram a abandonar o slogan "fique em casa", que o governo central mudou para "fique alerta".

Extensão das medidas econômicas

O secretário de Estado das Finanças britânico, Rishi Sunak, ampliou o programa do governo para realizar cortes temporários de empregos e evitar demissões até outubro.

O governo continuará cobrindo 80% do salário dos funcionários suspensos, até um máximo de 2,5 mil libras por mês (R$ 18 mil), mas solicitará às empresas que comecem a dividir essa despesa a partir de agosto.

Cerca de 7,5 milhões de funcionários, um quarto da força de trabalho britânica, já foram beneficiados pelo programa, que custa ao erário público cerca de 14 bilhões de libras por mês (R$ 101,1 bilhões).

A Sunak estava sob pressão para anunciar uma extensão do programa antes da próxima segunda-feira, prazo para as empresas começarem a fazer demissões permanentes até o final de junho, data em que a ajuda do governo deveria terminar até então.

Viagens para o exterior

A companhia aérea Ryanair antecipou hoje que espera operar até 40% de seus voos regulares a partir de 1º de julho, depois de ter paralisado quase toda a sua frota durante a crise do coronavírus.

O secretário de Estado da Saúde, Matt Hancock, no entanto, reduziu as expectativas de que os britânicos poderão aproveitar as férias deste verão (junho a setembro no hemisfério norte) no exterior.

Como outros países europeus, o Reino Unido fez progressos ao impor uma quarentena de 14 dias a todos os viajantes que desembarcam no país.

Perguntado em entrevista à emissora "ITV" se "o verão está cancelado", Hancock respondeu: "Acho que provavelmente será esse o caso"