Reino Unido

Internacional Reino Unido quer devolver à França embarcações com migrantes ilegais

Reino Unido quer devolver à França embarcações com migrantes ilegais

Imprensa britânica estima que 13 mil imigrantes atravessaram o Canal da Mancha ilegalmente até o sul da Inglaterra em 2021

AFP
O Canal da Mancha é usado por imigrantes que desejam sair da França e chegar à Inglaterra

O Canal da Mancha é usado por imigrantes que desejam sair da França e chegar à Inglaterra

REUTERS/Jesus Blasco de Avellaneda

Diante do crescente número de migrantes em situação irregular que atravessam o Canal da Mancha, o Reino Unido se prepara para devolver as embarcações para as costas francesas, segundo a imprensa britânica, o que aumenta a tensão com o governo da França, que denuncia uma "chantagem".

Vários jornais britânicos afirmam que a ministra do Interior, Priti Patel, já aprovou a medida e que a força de fronteira britânica será treinada em novos métodos para obrigar as embarcações lotadas de migrantes a retornar antes que alcancem as costas do sul da Inglaterra. 

A estratégia, respaldada pelo primeiro-ministro Boris Johnson, seria utilizada apenas em "circunstâncias muito limitadas", segundo o jornal The Daily Telegraph, para as embarcações maiores e quando for considerado seguro adotar a medida. 

E para aplicá-la, afirma o jornal The Times, Patel solicitou que a interpretação do Reino Unido ao direito marítimo internacional seja reescrita. 

Mas ao advertir que as devoluções em alto-mar podem prejudicar "a cooperação" entre os dois países, que passam por um momento de tensão desde o Brexit, o ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, pediu nesta quinta-feira ao Reino Unido que "cumpra com seu compromisso".

"A França não aceitará nenhuma prática contrária ao direito marítimo, nem chantagem financeira", publicou Darmanin em suas redes sociais.

O governo do Reino Unido se comprometeu no fim de julho a pagar à França mais de 60 milhões de euros (R$ 378 milhões) em 2021-2022 para financiar uma maior presença policial francesa nas costas. Mas, segundo a imprensa britânica, Patel ameaçou no início da semana não transferir os recursos prometidos caso não sejam registrados avanços.

Leia também: Por que países constroem muros em suas fronteiras?

A ministra britânica afirmou no Twitter após o encontro com Darmanin, na última quarta-feira (8), que desejava obter "resultados" e que acabar com estas travessias seria uma "prioridade absoluta".   

Porém, em uma carta a Patel com data de segunda-feira (6) e divulgada nesta quinta-feira (9), Darmanin advertiu sobre o perigo para a segurança dos migrantes.

"No mar, a salvaguarda da vida humana tem prioridade sobre as considerações de nacionalidade, status e política migratória, em estrito cumprimento do direito marítimo internacional", escreve.  

O próprio Johnson afirmou na quarta-feira no Parlamento de Westminster que o Reino Unido deve utilizar todos os meios a seu alcance para acabar com o "comércio ilegal" dos traficantes que atravessam o Canal da Mancha.

Nas últimas semanas foram registrados recordes de chegadas de migrantes irregulares, estimulados pelo bom tempo em alto-mar. Na segunda-feira, 785 imigrantes atravessaram o Canal da Mancha até o Reino Unido desta maneira, após o recorde registrado em agosto de 828 pessoas em apenas um dia, o que elevou o total do ano a mais de 13.000, segundo a agência de notícias britânica PA. 

Londres, que depois do Brexit transformou o controle da imigração em prioridade, quer impossibilitar as perigosas travessias do Canal da Mancha e pressiona a França a redobrar seus esforços para evitar as viagens. 

"Dependemos muito do que os franceses fazem", admitiu Johnson.

Ainda em carta, Darmanin rejeitou a proposta britânica de criação de um "centro de comando conjunto único" para as forças francesas e britânicas por considerá-la contrária à soberania francesa e desnecessária porque a coordenação no local já é "boa e eficaz". 

O ministro do Interior francês destacou que o aumento do número de imigrantes que desembarcam no Reino Unido se deve principalmente ao uso de embarcações maiores por parte dos traficantes de pessoas, que podem transportar até 65 pessoas, contra 15 anteriormente.

Últimas