Internacional Republicano vence governo da Virgínia, em revés para democratas

Republicano vence governo da Virgínia, em revés para democratas

Eleição é considerada um termômetro das políticas do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden

AFP
Glenn Youngkin, o novo governador do Estado da Virgínia, discursa em sua festa de eleição

Glenn Youngkin, o novo governador do Estado da Virgínia, discursa em sua festa de eleição

Elizabeth Frantz/Reuters - 03.11.2021

O candidato republicano Glenn Youngkin venceu a disputa pelo cargo de governador do estado americano da Virgínia nesta quarta-feira (3), segundo projeções das redes de televisão locais, em uma eleição considerada um termômetro das políticas do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Após a apuração de mais de 99% dos votos, o bilionário Glenn Youngkin, de 54 anos e sem experiência política, tinha vantagem de 2,2 pontos sobre o democrata Terry McAuliffe, segundo a imprensa. 

McAuliffe, que foi governador da Virgínia até janeiro de 2018, começou a disputa como o favorito, mas nos últimos dias de campanha as pesquisas apontaram um empate.

O fato de um bilionário que concorreu pela primeira vez a uma eleição derrotar um ex-governador com bastante popularidade é um golpe para Biden antes das importantes eleições de 2022, que determinarão o controle do Congresso e definirão vários governos estaduais. 

"Vencemos", declarou o republicano aos simpatizantes durante a madrugada. Ele falou em "momento decisivo que mudará a trajetória" da Virgínia após oito anos de governo democrata. 

Youngkin conquistou o voto rural, tradicionalmente conservador, mas também obteve bons resultados nos redutos democratas do norte do estado.

Até o fim, os democratas acreditaram na vitória. "A luta continua", afirmou McAuliffe, que recebeu o apoio de pessoas importantes do partido durante a campanha, do popular ex-presidente Barack Obama ao atual, Joe Biden.

A eleição era considerada uma guerra entre Biden e o ex-presidente Donald Trump, que desde o início apoiou Youngkin, cuja campanha provavelmente será um modelo para os republicanos de todo o país.

Guerra cultural

No início da campanha, Youngkin aceitou o apoio de Trump e evitou críticas ao ex-presidente. Mas também evitou deliberadamente aparecer ao lado do líder republicano, malvisto entre os independentes em grande parte da Virgínia, ou se apresentar como um assistente de Trump. 

A derrota de McAuliffe também deixará os moderados do Capitólio nervosos e fará com que alguns deixem de apoiar o plano de Biden de destinar 3 trilhões de dólares para estimular a economia.

O plano, centrado no bem-estar social e na infraestrutura, é fundamental na agenda política do presidente, mas está sofrendo importantes contratempos para ser aprovado em Washington.

Na terça-feira também aconteceram eleições em outros estados. Na cidade de Nova York, o democrata Eric Adams venceu a prefeitura e no estado de Nova Jersey a vitória foi de seu companheiro de partido Phil Murphy. 

McAuliffe enfrentou grandes adversidades na tentativa de obter um cargo que já havia ocupado, pois o partido majoritário em Washington costuma sofrer desgaste político durante o primeiro mandato de um presidente. 

Youngkik se viu obrigado a fazer malabarismos, pois a grande maioria dos republicanos acredita na falsa alegação de Trump de que a eleição presidencial que perdeu para Biden foi fraudulenta, e nesse cenário admitir a verdade tem riscos políticos.

O governador eleito optou por concentrar a campanha em temas locais da "guerra cultural", como o aborto, a obrigatoriedade do uso de máscara e o ensino da "teoria crítica da raça", corrente de pensamento que considera o racismo um sistema que permeia todos os níveis da sociedade, para além dos preconceitos individuais

McAuliffe, de 64 anos, se apresentou como alguém que recuperou empregos após a crise financeira mundial de 2008 e prometeu repetir a façanha após a pandemia. 

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