Restrições impostas pela pandemia freiam trânsito de migrantes

Controles de mobilidade fizeram contrabando de pessoas cair, mas também retêm migrantes em situação precária nas fronteiras

Migrantes haitianos retidos na cidade de Pasto, na Colômbia

Migrantes haitianos retidos na cidade de Pasto, na Colômbia

Sebastián Leonardo Castro / EFE - 8.7.2020

A pandemia provocada pelo novo coronavírus praticamente parou o contrabando de migrantes pela América Central e reduziu drasticamente o fluxo do Mediterrâneo para a Europa, disseram representantes do Unodc (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) na sexta-feira (10).

O fechamento de fronteiras e as severas restrições de mobilidade obrigaram milhares de migrantes, principalmente do Haiti e de países africanos e asiáticos, a permanecer retidos nos países da América Central, sem a possibilidade de continuar sua rota para a América do Norte, que seria seu destino.

Desde o início da crise da saúde, houve "um acúmulo de migrantes nas fronteiras, detidos pelos fechamentos, que sem dúvida colocou novos desafios para as autoridades", explicou Carlos Pérez, funcionário da Seção sobre Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes da Unodc.

Haitianos retidos entre a Colômbia e o Panamá

Essa situação pode ser vista claramente no Panamá, a porta de entrada para a América Central, onde existem mais de 2.500 migrantes irregulares imobilizados, a grande maioria alojada em abrigos localizados na fronteira com a Colômbia, improvisados a partir de estações de controle de trânsito.

Darien é a perigosa fronteira natural entre Colômbia e Panamá e, nos últimos anos, dezenas de milhares de migrantes de todo o mundo viajam para a América do Norte, causando crises humanitárias periódicas no istmo.

A organização de direitos humanos denunciou recentemente as condições de superlotação em abrigos no Darién panamenho, enquanto a CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos) ordenou ao Estado garantir os direitos dos migrantes, especialmente os direitos à saúde devido à pandemia.

Com menos opções de movimento, o desespero "pode ​​levar a abusos, exploração, tráfico e mais caros e arriscados e a necessidade de usar serviços ilegais de tráfego", alertou o Unodc em um relatório.

Restrições da pandemia aumentam vulnerabilidade

O documento não apresenta dados atualizados sobre o impacto do coronavírus no contrabando de migrantes nos Estados Unidos, mas observa que "as restrições impostas pela pandemia, que aumentam as vulnerabilidades ao abuso e tráfico, podem afetar as pessoas que fogem das altas taxas de violência no triângulo norte da América Central e da crise na Venezuela."

A representante do Unodc no Panamá, Erika Aguirre, disse que "o Triângulo Norte está tentando consolidar as regulamentações nacionais e internacionais" para combater o contrabando de migrantes, além de "fornecer suporte técnico e assistência operacional aos Estados".

Migrantes africanos resgatados no Mediterrâneo pelo navio Ocean Viking

Migrantes africanos resgatados no Mediterrâneo pelo navio Ocean Viking

Flavio Gasperini via EFE-EPA - 6.7.2020

Imigração para Europa via Mediterâneo

A entidade da ONU também se referiu ao contrabando de migrantes do Mediterrâneo para a Europa.

"As restrições de confinamento e viagens não impediram as transferências facilitadas pelos traficantes pelo menos nesta rota" mediterrânea ", disse Salomé Flores, do Centro de Excelência Unodc-Inegi, na sexta-feira.

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Até o final de abril de 2020 — quando o novo coronavírus já havia chegado ao continente europeu e a maioria dos países mantinha um forte confinamento — 19.827 pessoas chegaram irregularmente à União Europeia (UE) por terra e mar, e 256 morreram ou desapareceram, segundo os dados do relatório.

No mesmo mês de 2019, foram notificados 128.536 migrantes que chegaram ao território europeu e 1.885 morreram ou desapareceram.

A maioria é movida por contrabandistas de pessoas que cobram preços altos pela viagem sem garantir a segurança. Depois de pisar em solo europeu, os migrantes solicitam o status de refugiado e proteção internacional, explicaram funcionários da ONU.