Internacional Rússia acusa empresas dos EUA de 'interferência eleitoral'

Rússia acusa empresas dos EUA de 'interferência eleitoral'

Gigantes tecnológicas teriam violado a legislação antes das eleições parlamentares da próxima semana; embaixador foi convocado

AFP
As eleições russas parlamenteares acontecerão entre os dias 17 e 19 de setembro

As eleições russas parlamenteares acontecerão entre os dias 17 e 19 de setembro

Natalia Kolesnikova/AFP - 8.9.2021

O embaixador dos Estados Unidos foi convocado para ser apresentado a "provas irrefutáveis" de violações cometidas por gigantes digitais americanas antes das eleições parlamentares de setembro na Rússia, informou nesta sexta-feira (10) a porta-voz da diplomacia russa.

"Há apenas uma razão [para esta convocação]: interferência nas eleições russas", declarou a porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em sua conta no Telegram.

Em um comunicado publicado em sua página, o ministério disse que o diplomata americano John Sullivan se reuniu com o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Serguéi Riabkov.

"Foi destacado durante a discussão que o lado russo tem provas irrefutáveis de uma violação da legislação russa por parte das gigantes digitais americanas no contexto do preparo e realização das eleições na Duma (a câmara baixa do Parlamento)", diz a nota.

Afirma também que conversou com a Casa Branca sobre o "caráter absolutamente inadmissível da interferência nos assuntos internos de nosso país".

O ministério russo não especificou em detalhes qual foi a violação. 

A convocação ocorre depois que o órgão de controle das telecomunicações da Rússia, o Roskomnadzor, emitiu na semana passada uma advertência contra a Apple e Google pela sua rejeição de eliminar o aplicativo do opositor russo preso Alexei Navalny.

A Rússia realizará eleições parlamentares de 17 a 19 de setembro sem a participação dos aliados de Navalny, que foram excluídos das votações ou obrigados a se exilarem desde que suas organizações foram proibidas em junho e declaradas "extremistas".

Navalny, condenado em fevereiro a dois anos e meio de prisão em um caso que ele denuncia como político, pediu aos seus apoiadores que usem seu aplicativo para encontrar e votar nos candidatos com mais chances de vencer os do Kremlin.

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