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Internacional Rússia deseja boas relações com EUA e nega ameaça à Ucrânia

Rússia deseja boas relações com EUA e nega ameaça à Ucrânia

Autoridades russas enfatizaram neste domingo (30) que têm a intenção de seguir a via diplomática na questão com a Ucrânia

AFP
Ministro Serguei Lavrov manifestou-se neste domingo sobre relações com os Estados Unidos

Ministro Serguei Lavrov manifestou-se neste domingo sobre relações com os Estados Unidos

AFP PHOTO / Russian Foreign Ministry

A Rússia afirmou neste domingo (30) que deseja ter relações baseadas no "respeito mútuo" com os Estados Unidos e negou qualquer ameaça à Ucrânia, apesar de ter concentrado tropas na fronteira, ao mesmo tempo que destacou que precisa de garantias concretas para sua segurança.

Embora há meses as tensões entre Moscou e os países ocidentais a respeito da Ucrânia estejam no ponto máximo, as autoridades russas enfatizaram neste domingo que têm a intenção de seguir a via diplomática.

"Queremos relações boas, equitativas, de respeito mútuo com os Estados Unidos, assim como com todos os países", declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, ao Canal 1 da Rússia.

"Aprendemos com uma experiência amarga, não queremos permanecer em uma posição na qual nossa segurança seja violada diariamente", insistiu, a respeito da possibilidade de a Ucrânia aderir à Otan, algo que a Rússia considera uma ameaça existencial.

Lavrov afirmou que Moscou continuará buscando "garantias, que não são apenas compromissos políticos no papel, mas também garantias juridicamente vinculantes", que levem em consideração os "interesses legítimos" da Rússia.

Ele disse que o governo russo enviará em breve aos países da Otan e da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) "um pedido oficial que os insta a especificar como planejam implementar seu compromisso de não reforçar sua segurança em detrimento da segurança dos outros".

Antes, Lavrov já havia afirmado que a Rússia não quer a guerra e prefere a "via diplomática".

Apesar das declarações, a Rússia advertiu que, caso suas demandas não sejam atendidas, ordenará represálias, sem detalhar de que tipo.

Soldados russos na fronteira

A Rússia é acusada, desde o fim de 2021, de ter concentrado cerca de 100 mil soldados na fronteira ucraniana com o objetivo de atacar o país vizinho. Moscou nega ter qualquer intenção bélica, mas exige garantias por escrito para salvaguardar sua segurança, como a de que a Otan não aceitará novos membros, especialmente a Ucrânia.

Essa é uma demanda-chave que o governo dos Estados Unidos rejeitou nesta semana por escrito, embora tenha deixado a porta aberta para negociações. O Kremlin indicou que deseja tempo para analisar a situação.

Neste domingo, o diretor do Conselho de Segurança russo, Nikolai Patrushev, repetiu que a Rússia "não quer uma guerra" com a Ucrânia e acusou os países ocidentais de exacerbar as tensões com "seus próprios objetivos egoístas".

Vários países ocidentais anunciaram nos últimos dias o envio de soldados ao leste da Europa, incluindo os Estados Unidos (que colocou 8.500 militares em alerta para reforçar a Otan) e a França, que deseja enviar centenas de soldados à Romênia.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, deve propor na próxima semana à Otan o envio de tropas para responder ao aumento da "hostilidade russa" contra a Ucrânia.

As autoridades de Kiev pediram aos ocidentais neste sábado (29) que permaneçam "firmes e vigilantes" nas negociações com Moscou, mas que não espalhem o pânico.

Os países europeus e os Estados Unidos prometeram sanções sem precedentes caso a Rússia ataque a Ucrânia.

O governo do Reino Unido, que nas últimas 48 horas fez diversas declarações para aumentar a pressão sobre a Rússia, anunciou neste domingo que cogita impor sanções que afetem "qualquer empresa de interesse para o Kremlin e o regime da Rússia".

Sobre a mesa também estaria o gasoduto estratégico Nord Stream 2, que liga a Rússia à Alemanha, ou o acesso dos russos às transações em dólares.

Além disso, o governo americano pediu ao Conselho de Segurança da ONU que convoque uma reunião na segunda-feira para discutir a "ameaça clara" que, segundo Washington, a Rússia representa para "a paz e a segurança internacionais".

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