Internacional Rússia propõe abrir corredor humanitário em cidade no leste da Ucrânia que ataca há semanas

Rússia propõe abrir corredor humanitário em cidade no leste da Ucrânia que ataca há semanas

Rússia pediu aos ucranianos que parem com sua 'resistência absurda' em Severodonetsk, mas não obteve resposta sobre o acordo para a retirada de civis

AFP
Civis são retirados da cidade de Sloviansk, no leste da Ucrânia

Civis são retirados da cidade de Sloviansk, no leste da Ucrânia

Aris Messinis/AFP - 09.06.2022

A Rússia pediu aos ucranianos que parassem com sua "resistência absurda" em Severodonetsk e propôs a abertura de um "corredor humanitário" para retirar civis nesta quarta-feira (15), mas não obteve resposta da Ucrânia, que incitou suas tropas a "aguentar". A cidade está sob intenso ataque das forças russas há semanas.

"Um corredor humanitário será aberto em 15 de junho" entre 5h e 17h GMT (1h e 13h no horário de Brasília), anunciou o Ministério da Defesa russo, que garantiu "a retirada segura de todos os civis, sem exceção".

De acordo com o chefe da administração de Severodonetsk, Oleksandr Striouk, 540 a 560 pessoas estão abrigadas nas passagens subterrâneas da gigantesca fábrica química Azot, na cidade industrial no leste da Ucrânia.

Moscou pediu aos ucranianos que levantem uma bandeira branca para sinalizar que aceitam essa proposta.

No entanto, o presidente ucraniano Volodmir Zelenski encorajou seus compatriotas na noite desta terça-feira (14) a "resistir" no Donbas, uma região "vital", aos seus olhos, e da qual dependerá o resultado da guerra lançada pela Rússia em 24 de fevereiro contra a Ucrânia.

"É vital ficar no Donbass", disse Zelenski em seu discurso diário aos ucranianos transmitido pelo Telegram. "A defesa da região é fundamental para dar uma indicação de quem vai dominar nas próximas semanas", disse.

As forças russas intensificaram seu cerco à cidade industrial de Severodonetsk, que já controlam em grande parte, e estão tentando cortar as defesas ucranianas ao destruir as três pontes que a ligam à vizinha Lysychansk.

Ambas as cidades, separadas pelo rio Donets, são o último reduto de Kiev em Lugansk, região que, ao lado de Donetsk, compõe a bacia de mineração do Donbass.

Para a Rússia, Severodonetsk abriria caminho para Sloviansk e outra grande cidade do Donbass, Kramatorsk, uma etapa importante na conquista de toda a região, que em parte já estava nas mãos de rebeldes leais ao país desde 2014.

Armas pesadas

De acordo com um jornalista da AFP, os ucranianos estão transportando armas, incluindo lançadores de foguetes, canhões de artilharia e tanques, ao longo das estradas entre Kramatorsk e Lysychansk.

Como Severodonetsk, Lysychansk está praticamente vazia e sem eletricidade. "Os russos bombardeiam constantemente o centro da cidade", disse um policial à AFP.

Diante desse ataque, as autoridades ucranianas estão multiplicando seus pedidos de armas aos países ocidentais, pedidos aos quais o secretário da Otan, Jens Stoltenberg, aderiu nesta terça-feira.

A Otan começou a "intensificar" suas entregas de armas a Kiev. "A Ucrânia deveria ter mais armas pesadas... porque depende absolutamente disso para poder lidar com a brutal invasão russa", disse Stoltenberg após uma reunião com líderes de sete aliados europeus em Haia.

"Recebemos apenas 10% das armas que a Ucrânia precisa e sem as quais não seremos capazes de vencer esta guerra", lamentou a vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Anna Maliar.

O Ministério da Defesa da Rússia disse nesta quarta-feira que suas tropas destruíram um depósito de armas fornecido pela Otan no oeste da Ucrânia.

O Grupo de Contato com a Ucrânia está programado para se reunir em Bruxelas também nesta quarta-feira para discutir uma possível aceleração da entrega de armas, à margem de uma reunião ministerial da Otan na capital belga.

Os Estados Unidos já começaram a entregar equipamentos pesados ​​a Kiev, incluindo obuses, lançadores de foguetes múltiplos montados em caminhões ("Himars") e artilharia de alta precisão com um alcance ligeiramente maior do que o da artilharia dos militares russos.

Na arena diplomática, o presidente francês Emmanuel Macron, cujo país preside a UE (União Europeia) neste semestre, chegou à Romênia na noite desta terça-feira, onde se reuniu com 500 soldados franceses destacados em uma base da Otan.

O presidente francês viajará então para a Moldávia e possivelmente visitará Kiev nesta quinta-feira (16). As informações de viagem não foram confirmadas oficialmente.

A UE deve dizer em uma cúpula a ser realizada em 23 e 24 de junho se concede à Ucrânia o status de candidata ao bloco.

Estudantes ucranianos fazem ensaio de formatura em meio à destruição da guerra

Últimas