Crise na Venezuela

Internacional Sanções dos EUA agravaram calamidades na Venezuela, diz ONU

Sanções dos EUA agravaram calamidades na Venezuela, diz ONU

Relatora afirma que punições unilaterais por parte dos EUA pioraram problemas e crises que já existiam no país antes

Relatora diz que sanções exacerbaram problemas da Venezuela

Relatora diz que sanções exacerbaram problemas da Venezuela

Miguel Gutierrez / EFE - 12.2.2021

A relatora especial da ONU sobre o impacto negativo das medidas coercitivas unilaterais nos direitos humanos, Alena Douhan, afirmou nesta sexta-feira que as sanções aplicadas pelos Estados Unidos à Venezuela exacerbaram as calamidades no país sul-americano.

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"As sanções impostas, cada vez mais, pelos EUA exacerbaram as calamidades anteriormente relatadas", disse a relatora na primeira e única declaração pública, após uma visita de 12 dias à Venezuela.

Diante de dezenas de jornalistas em Caracas, Douhan analisou o registro das reuniões que realizou durante a estadia no país, que incluiu reuniões com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e cerca de 50 outras pessoas.

"Reconheço o efeito devastador das sanções sobre os direitos humanos, como a alimentação, a vida, a educação", continuou a relatora, insistindo que as restrições dos últimos anos agravaram a crise na Venezuela, embora não tenha dito que elas causaram esta situação, como argumenta o governo de Nicolás Maduro.

Efeitos da crise

Entre esses efeitos devastadores relatados está o fato de o salário mínimo recebido pela maioria da população ser inferior a US$ 10 (cerca de R$ 53), o que fez com que entre 1 milhão e 5 milhões de venezuelanos deixassem o país desde 2015.

As sanções também apertaram o cerco financeiro, uma vez que vários representantes do governo têm restrições para representar os interesses da Venezuela no exterior, enquanto a principal indústria do país, a petroleira PDVSA, tem tido problemas para fazer negócios desde 2017.

Por esta razão, a relatora instou os países a suspenderem as sanções aplicadas à Venezuela, especialmente Estados Unidos, Portugal e Reino Unido, países que congelaram US$ 6 bilhões (cerca de R$ 32 bilhões) que, de acordo com o estudo, o país necessita para ter acesso a alimentos e medicamentos.

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